Filho do projeto Red Bull, técnico do Canadá quer ser "pesadelo" para Marrocos

Jesse Marsch abriu mão de carreira na Europa e vive momento histórico com a seleção na Copa do Mundo

4 jul 2026 - 07h05
(atualizado às 07h05)
Agradece e exalta o grupo após a vaga nas oitavas –
Agradece e exalta o grupo após a vaga nas oitavas –
Foto: Alex Grimm/Getty Images / Jogada10

A formação e o método de jogo deixam claro que Jesse Marsch tem uma ideia sobre futebol e muita sede para implementá-la. Técnico do Canadá há dois anos, vive o maior momento da carreira - está a apenas 90 minutos de levar uma seleção com pouca expressão às quartas de final da Copa do Mundo.

Ainda que sejam anfitriões, os canadenses não tinham altas expectativas. No entanto, a evolução no desempenho trouxe os resultados. A base do trabalho é o projeto do Red Bull, que mantém clubes espalhados pelo mundo e o manteve empregado por sete anos. A filosofia consiste em pressão alta no adversário, intensidade constante e transições rápidas. Foi assim que o time goleou o Catar e dominou parte do duelo com a África do Sul, que terminou 1 a 0, pela segunda fase.

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E é desse jeito também que o norte-americano Marsch espera surpreender Marrocos, neste sábado, às 14h, em Houston, para entrar de vez para a história do futebol do país. O treinador usou o termo "pesadelo" para descrever o que seu estilo de jogo é capaz de causar.

Agradece e exalta o grupo após a vaga nas oitavas –
Foto: Alex Grimm/Getty Images / Jogada10

"Estamos no caminho certo. Acredito que somos um pesadelo para qualquer adversário. Contra o Marrocos, vamos manter essa mentalidade, embora, ao mesmo tempo, se perdermos um jogador pelo caminho ou se nossa intensidade cair nem que seja 1%, isso vá nos afetar", ponderou.

"Louco" por largar a Europa

Aos 52 anos, Jesse Marsch aprendeu a ter discursos motivadores e não abre mão das palavras fortes. Já chamou seus atletas de "heróis" algumas vezes, inclusive com microfone aberto no gramado, nesta Copa. Classificado como performático, diz que não liga. Para a Federação, aliás, o trabalho parece ser muito positivo. Afinal, recentemente, teve um aumento salarial e o contrato estendido até 2030.

O curioso é que deixou seu processo de ascensão no futebol europeu, onde sempre quis trabalhar, para regressar a América do Norte e alterar a rota do planejamento de carreira. Para o treinador, a decisão foi um ato de loucura.

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"Eu até comentava que era uma loucura aceitar o convite, ainda mais tendo como primeiros compromissos Holanda, França e Argentina (todos amistosos). Pensei: sou um louco, o que meu empresário tinha na cabeça ao me sugerir este trabalho?' (risos). Mas esse início difícil foi excelente para mostrar ao grupo o real padrão exigido no futebol de elite", explicou Marsch.

Última experiência em clube foi no Leeds –
Foto: Divulgação / Leeds United / Jogada10

Como jogador, ele teve sucesso como meio-campista do Chicago Fire e do extinto Chivas USA. Não conseguiu, porém, ser convocado para um Mundial. Já em 2015, assumiu o New York Red Bulls e imergiu no projeto da marca de energéticos por sete anos, em clubes diferentes. No Brasil, o Bragantino absorveu o Red Bull.

Clubes de Marsch como treinador:

New York Red Bulls (2015-2018): ganhou a eleição de técnico do ano em sua primeira experiência na MLS. Com futebol agressivo, foi um dos melhores ataques do campeonato.

RB Salzburg (2019-2021): campeão austríaco e da Copa da Áustria duas vezes consecutivas. Além disso, se tornou o primeiro técnico nascido nos Estados Unidos s vencer uma partida na Liga dos Campeões.

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RB Leipzig (2021): voltou ao futebol alemão, onde havia sido auxiliar, mas não teve sucesso na grande chance da carreira até então. Acabou demitido após alguns meses e deixou o grupo Red Bull.

Leeds United (2022-2023): conquistou uma vitória sobre o Liverpool, fora de casa, mas obteve resultados irregulares. O clube caiu, mas não sem antes dispensar Marsch, que 11 meses depois assumiu o Canadá.

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