A Copa do Mundo de 2026 marca mais um capítulo especial na trajetória do torcedor brasileiro Darci Fernandes. Aos arredores da Filadélfia, onde o Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19/6) pela segunda rodada do Grupo C, ele exibe com orgulho uma camisa repleta de inscrições que resumem uma paixão de mais de quatro décadas: esta é sua 12ª participação em Mundiais. Entretanto, apesar da marca impressionante, Darci faz questão de afastar qualquer rótulo de recordista.
"Primeiro eu vou falar do recorde. O recorde não é porque tem aqui amigos meus que têm 13 Copas do Mundo. Eu tenho 12, mas tem um ou dois só que também têm isso", contou.
Aliás, a relação com o torneio começou ainda na juventude, quando acompanhava as transmissões pela televisão e alimentava o sonho de ver a Seleção de perto.
"Surgiu isso aí quando, lá na década de 80, eu via na televisão as Copas do Mundo de 74 e 78. Um dia eu falei: "um dia eu vou numa Copa dessa". Em 82 eu resolvi ir e nunca mais parei. Chego aqui com 12 Copas do Mundo, fiz 10 Olimpíadas também fora disso, 10 Pan-Americanos, 10 Copas América. Eu nunca mais parei de andar, só continuei nessa jornada aí. Tive alegria, mas tive decepção", afirmou.
Contudo, entre tantas lembranças, nenhuma supera a eliminação brasileira para a Itália na Copa de 1982. Nem mesmo o histórico 7 a 1 diante da Alemanha, em 2014, provocou uma reação semelhante.
"Em 82 foi a única Copa que eu posso dizer que chorei, chorei mesmo. As outras passaram. Nem no 7 a 1. O quinto gol da Alemanha eu só escutei quando já estava fora do Mineirão. Essa foi uma decepção, mas a pior foi a de 82. Essa para mim marcou para sempre", disse.
Pouca confiança no hexa do Brasil
Contudo, a estreia brasileira diante do Marrocos, encerrada com empate por 1 a 1, aumentou a desconfiança de parte da torcida. Darci admite que chegou aos Estados Unidos sem grandes expectativas em relação ao título.
"Eu sou bem sincero. Sempre falei isso em entrevistas. Só penso assim comigo: tomara que eu esteja totalmente errado. Eu não criei expectativa nenhuma de nós ganharmos. Acredito que vamos passar da primeira fase. Tem que passar, se não é possível em um grupo que tem o Haiti ficarmos fora. Mas, em termos de título, acho muito difícil. Sinceramente, acho difícil", avaliou.
Ainda assim, ele se apega às lembranças da campanha vitoriosa de 1994, justamente disputada nos Estados Unidos, para manter uma ponta de esperança.
"Já vi o Brasil com time ruim, como aquele de 90. Em 94, todo mundo acreditava pouco e, de repente, aconteceu. Foi aqui mesmo, nos Estados Unidos. Ninguém dava nada para o Brasil. Aí o Romário, sozinho, resolveu a parada e saímos daqui com o título. Pode ser que aconteça, mas expectativa de dizer que vai ganhar, eu não acredito não", comentou.
Por fim, para o duelo desta sexta-feira contra o Haiti, Darci prefere um palpite cauteloso. Depois de errar a previsão para o jogo contra a Croácia em 2022, ele espera ao menos uma vitória confortável da Seleção.
"Eu dei um palpite errado lá contra a Croácia, falei que dava 2 a 1 para o Brasil e deu 1 a 1. Então vou colocar aqui: 3 está bom. Se der 3 já está no lucro", brincou.
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