A Justiça do Paraná condenou John Textor, dono da SAF do Botafogo, a pagar R$ 50 mil por danos morais ao árbitro Rafael Traci, além de remover publicações de suas redes sociais sob pena de multa. A decisão decorre de acusações sem base factual feitas pelo dirigente sobre suposta manipulação do VAR na derrota contra o Palmeiras, pelo Brasileirão de 2023. Textor afirmou não ter conhecimento do processo ativo para formular sua defesa e reforçou suas críticas. Cabe recurso contra a sentença.
John Textor, empresário e dono da SAF do Botafogo, foi condenado pela Justiça do Paraná a pagar R$ 50 mil por danos morais ao árbitro Rafael Traci. O processo envolve acusações feitas pelo norte-americano após uma partida entre Botafogo e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro de 2023. A decisão ainda cabe recurso.
A informação foi divulgada inicialmente por Francisco De Laurentiis e Yasmin Torres, da ESPN, que também conseguiram o posicionamento de Textor após a condenação.
O valor determinado pela Justiça é inferior ao pedido inicial de Traci, que havia solicitado uma indenização de R$ 100 mil. Além do pagamento, Textor terá que retirar duas publicações feitas no Instagram nas quais menciona o árbitro. O prazo é de cinco dias após a intimação, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 50 mil.
Entenda o caso
Rafael Traci era o responsável pelo VAR na partida entre Botafogo e Palmeiras, disputada no Estádio Nilton Santos, pelo Brasileirão de 2023. O confronto terminou com vitória do time paulista por 4 a 3, depois de uma virada no segundo tempo.
Um dos principais momentos da partida envolveu o zagueiro Adryelson. O defensor recebeu inicialmente cartão amarelo, mas acabou expulso após a revisão do lance pelo VAR.
Depois do confronto, Textor passou a questionar publicamente a atuação da arbitragem e levantou suspeitas sobre uma possível manipulação das imagens utilizadas pelo sistema de vídeo.
Traci entrou com uma ação contra o empresário em julho de 2024. Na Justiça, o árbitro alegou que as manifestações de Textor atingiram sua reputação profissional e provocaram prejuízos à sua carreira.
A sentença foi assinada pela juíza Bruna Richa Cavalcanti de Albuquerque, da 4ª Vara Cível de Curitiba. Segundo a magistrada, as acusações feitas pelo empresário foram graves e não apresentaram base factual suficiente, ultrapassando os limites da crítica esportiva.
A decisão também levou em consideração um estudo produzido pela empresa Good Game!, utilizado por Textor para sustentar suas alegações sobre o VAR. De acordo com a juíza, o material não teve validação oficial.
O depoimento de Bráulio da Silva Machado, árbitro responsável pelo confronto entre Botafogo e Palmeiras, também foi considerado no processo. Ele afirmou ter aprovado o procedimento realizado pelo VAR durante a partida.
Além da indenização, Textor foi condenado a pagar 80% das custas processuais. Os honorários advocatícios foram fixados em 15% do valor da causa.
Justiça rejeita pedido de Traci
Apesar da condenação, a Justiça rejeitou o pedido para que Textor fosse impedido de mencionar o nome de Rafael Traci em futuras manifestações.
Segundo a sentença, uma determinação desse tipo representaria censura prévia, o que contraria a Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).
Textor se manifesta após condenação
Procurado pela ESPN, Textor afirmou que não tinha conhecimento de que o processo ainda estava em andamento e, por isso, não participou da própria defesa.
O empresário também declarou que mantém as preocupações apresentadas na época sobre as imagens do VAR na partida contra o Palmeiras.
Textor ainda relembrou que uma análise das imagens foi apresentada durante uma CPI no Senado e afirmou que sua postura sempre foi defender o Botafogo e cobrar respostas quando entendia que o clube havia sido prejudicado.
A decisão da Justiça do Paraná ainda pode ser contestada por meio de recurso.