Com recuperação judicial, Botafogo pode reverter transfer ban e evitar perder jogadores

Advogado Leonardo de Carvalho explica: ‘Se essas metas forem aceitas, poderia reverter essa punição’

24 abr 2026 - 05h00
Diretor da gestão esportiva do Botafogo, John Textor
Diretor da gestão esportiva do Botafogo, John Textor
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

E parece que vem uma boa notícia para a torcida do Botafogo. A recuperação judicial da SAF vai dar brecha para que o clube possa reverter as dívidas na Fifa pelo transfer ban e na CBF na Câmara Nacional de Disputas (CNRD). Com o pedido de John Textor e sua diretoria, o clube da Estrela Solitária terá as dívidas congeladas com a CBF, com atletas e empresários, e precisará resolver apenas as pendências na Fifa.

“Logo o Botafogo pode deixar de ter transfer ban, uma vez que foi solicitado a questão da recuperação judicial (na quarta-feira, 22), que foi distribuída para a segunda Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado de Rio de Janeiro, na qual visa o parcelamento de suas dívidas”, disse Leonardo de Carvalho, presidente da Comissão de Direito Desportivo do Instituto Juristas e mestrado na PUC SP em Direito Desportivo em entrevista ao Terra.

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Tudo agora vai depender de como os credores do Botafogo vão se posicionar. Será preciso fazer um acordo para pagar 100% dos créditos FIFA e CNRD. O entrave pode vir se os credores se reunirem e juntarem créditos suficientes para rejeitar o plano inicial da categoria.

“Uma vez sendo definida esse parcelamento das dívidas, a negociação proposta pelo Botafogo na recuperação judicial, cria-se uma série de metas para pagar os seus credores. Se forem aceitas, acolhidas pelo Judiciário, aí sim ele poderia reverter essa punição, porque  já se encontra-se punido na FIFA e  também nacionalmente pela Câmara Nacional de Resolução de Desportos”.

Leonardo não tem dúvidas em afirmar que a decisão do desembargador Marcelo Almeida de Moraes Marinho, após petição na Segunda Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi a única alternativa possível para a sobrevida da SAF botafoguense, que acumula uma dívida de R$ 2,5 bilhões.

“É a alternativa mais viável diante do tamanho da dívida do Botafogo. Assim, visa garantir os seus credores com relação ao pagamento, o acerto das dívidas do clube”, explicou.

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Bastos jogador do Botafogo durante partida contra o Chapecoense no estádio Engenhão pela Copa Do Brasil 2026.
Foto: THIAGO RIBEIRO/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O advogado destacou, porém, que não é somente o clube carioca que tem essas dívidas. “O primeiro clube a pedir recuperação judicial foi o Cruzeiro, há muito tempo atrás”, lembrou. “Hoje nós temos o Atlético Mineiro e o Vasco, além do Botafogo.”

“A dívida dos clubes brasileiros vêm já de algum tempo. Na busca de um resultado nas competições, faz com que o clube contrate os jogadores, às vezes para agradar a própria torcida, futebol é paixão. Em nome disso, acaba-se fazendo contratações que no futuro a conta chegue num valor em dívidas”, salientou.

Para que os clubes sanem essas dívidas, ele espera que siga o mesmo caminho traçado pelo Flamengo em um passado recente. “O Bandeira de Melo, que foi presidente do Flamengo, sempre falava que não ia buscar o resultado esportivo e sim buscar reestruturar as finanças do clube. Hoje o Flamengo é um time que não possui dívidas, é o menos endividado, porque teve uma gestão responsável lá atrás.”

Fonte: Portal Terra
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