A estratégia Sportwagenschmiede ’35, apresentada pela Porsche AG em seu Capital Markets Day, no Centro de Desenvolvimento de Weissach, coloca o esporte a motor, a Manthey Racing e a herança das corridas de resistência como pilares fundamentais da reestruturação global da marca. Sob a liderança do CEO Michael Leiters, o plano utiliza a transferência de tecnologia e a alta performance testada nas pistas de Nürburgring e Le Mans para elevar margens financeiras, blindar a rentabilidade e redirecionar o portfólio de veículos para segmentos de maior valor agregado.
Como parte central desse reposicionamento, a Porsche ampliou sua participação no capital da Manthey Racing GmbH para 67%, confirmando a parceira de longa data nas pistas como um braço estratégico do setor automotivo e de competição. Sob a direção executiva continuada de Nicolas e Martin Raeder, detentores dos 33% restantes, e com o fundador Olaf Manthey na função de consultor, a operação vai expandir a oferta conjunta de pacotes de alta performance (performance kits), eventos e experiências exclusivas em circuitos e conceitos de veículos completos em edições limitadas (few-off).
Toda a oferta de carros de alto desempenho, personalização e patrimônio histórico passa a ser estruturada sob o conceito "Home of Sports Cars", dividido em três pilares operacionais: Performance (com foco nas operações da Manthey e da engenharia de pista), Exclusividade (programas de customização avançada Sonderwunsch e Exclusive Manufaktur) e Héritage (preservação e exploração do acervo histórico da montadora). Como demonstração, a fabricante confirmou para o dia 15 de outubro a apresentação do conceito Porsche Mission S, uma prévia da futura plataforma de superesportivos com motor central que ficará posicionada acima do 911.
Para sustentar os investimentos no desenvolvimento tecnológico de competição e garantir autonomia financeira, a Porsche implementará um plano de redução de despesas e otimização de processos, guiado pelo princípio "valor acima de volume". A meta é reduzir o ponto de equilíbrio operacional para um patamar abaixo de 200.000 veículos vendidos ao ano, garantindo proteção contra oscilações de mercado, especialmente na China. A médio prazo, a empresa projeta um faturamento consolidado entre 41 e 45 bilhões de euros, margem operacional de retorno sobre as vendas entre 10% e 15% e margem de fluxo de caixa líquido automotivo de 9% a 12%, buscando metas estratégicas de longo prazo de 15% e 12%, respectivamente.
A readequação estrutural inclui um acordo trabalhista ("Pacote do Futuro") que prevê o corte socialmente responsável de cerca de 9.000 vagas, enquanto assegura a estabilidade do pessoal chave na fábrica até 2035. A médio prazo, o quadro geral de funcionários será reduzido em 25% (com meta de 30%), os cargos de gestão terão uma redução de 40% e os custos com folha de pagamento recuarão cerca de 10%. A empresa também reduziu despesas de vendas em 20% com a reorganização de suas regiões globais de cinco para quatro, além de prever cortes de até 20% nos custos de desenvolvimento de novos modelos e de até 30% nos custos industriais de manufatura.
A Porsche confirmou ainda o encerramento e a venda de participações em empresas fora do seu foco principal, incluindo as partes na Rimac, Bugatti Rimac e na consultoria MHP, além do encerramento das atividades de P&D e produção do Cellforce Group, da Porsche eBike Performance e da Cetitec. As subsidiárias Porsche Engineering e Porsche Digital serão unificadas na nova entidade Porsche Technologies.
No plano de produtos, a Porsche reduzirá em 20% o número de variantes de modelos para elevar o volume médio comercializado por versão em 30%, além de focar nos segmentos superiores D e E para aumentar em 20% o preço médio de venda de suas linhas topo de linha. A estratégia de motores mantém a coexistência entre propulsão a combustão, híbrida plug-in (PHEV) e 100% elétrica, acompanhada do desenvolvimento conjunto de plataformas (PPE e PPC) com a Audi. Para 2028, está previsto o lançamento comercial dos novos 718 Boxster e Cayman elétricos, além da apresentação de um novo SUV do segmento B com opções a combustão e PHEV, comercializado simultaneamente ao Macan elétrico e com impacto financeiro previsto para 2029.