No detalhe: como foi edição de 2026 do GP Cidade de São Paulo 1000 Milhas

Confira como se construiu a vitória do protótipo Ligier ao longo das 12 horas de prova

25 jan 2026 - 13h13
Ligier JSP 320
Ligier JSP 320
Foto: Paulo Abreu

A corrida começou em safety car em razão das condições de pista. A chuva ainda caía em Interlagos, mas mais fraca do que na hora anterior. Ainda assim, as poças de água e a baixa visibilidade foram motivos suficientes para que a direção de prova optasse pela largada mais conservadora.

Os fogos de artifício no céu nublado e úmido de São Paulo indicavam a largada do Grande Prêmio Cidade de São Paulo 1000 Milhas. Depois de alguns minutos de espera atrás do carro de segurança, bandeira verde em Interlagos, corrida valendo.

Publicidade

O Porsche 911 GT3R #55 da equipe Sttutgart assumiu a liderança na primeira volta, surpreendendo o pole e favorito Ligier JSP 320 de numeral #22 (Grid Racing), e segurou a posição por uma hora. A liderança só foi retomada pelo protótipo quando o pelotão foi reunido em uma relargada. Com pista livre, o Ligier começou a abrir vantagem.

O relógio marcava duas horas quando, em outro relargada, o Porsche perdeu outra posição, sendo superado pelo Lamborghini Huracán Evo GT3 verde claro #420 (G Force), figurinha carimbada nas etapas da GT Series. A terceira hora de prova, consolidou o Ligier à frente, com o Lamborghini e o Porsche atrás, todos espaçados entre si.

A Sttutgart já preparava a parada nos boxes quando Ricardo Maurício precisou encostar o 911 na área de escape da Reta Oposta. Pane seca, para desespero de Marçal Muller, que já estava pronto para assumir o carro. Segundo fontes da própria equipe, o computador indicava ao engenheiro de pista que ainda havia 5 litros no tanque, mas a indicação se mostrou imprecisa. O carro foi rebocado aos boxes sob bandeira amarela e voltou à prova ainda em 3º, mas duas voltas atrás dos líderes.

Porsche 911 GT3R
Foto: Paulo Abreu

Com a prova reiniciada, foi a vez do Lamborghini surpreender o Ligier e tomar a liderança. Não durou muito. Com a distância novamente encurtada por um safety car, o Ligier reassumiu a primeira colocação.

Publicidade

Ao redor das 5 horas e meia de prova, Lamborghini e Porsche se encontraram na pista, e o Porsche conseguiu descontar a volta que tinha a menos. E isso foi fundamental para se colocar novamente na briga, se valendo da estratégia de paradas descasada e dos muitos safety cars. Muitos mesmo! A corrida terminaria com mais de 25 intervenções.

Em uma relargada com pouco menos de 6 horas de corrida, os dois estavam novamente juntos, dessa vez valendo a 2ª posição no geral e a liderança na GT3. Na disputa da freada do S do Senna, o Lamborghini esbarrou de lado em um protótipo retardatário e acabou sendo superado pelo concorrente. Mas o conjunto da Lamborghini não se deu por vencido, alcançou e ultrapassou o Porsche novamente.

Para azar da equipe Grid Race, a alegria durou pouco: quando o relógio marcava exatas 6 horas, a porta do motorista se soltou e saiu voando na Reta Oposta, consequência do toque na relargada de minutos antes. Nicolas Costa seguiu na pista mesmo sem porta por mais algumas voltas, mas foi forçado a parar em seguida. O reparo custou uma volta, jogando o carro à posição em que o Porsche se encontrava antes: em 3º no geral, uma volta atrás dos líderes.

A sexta e sétima horas transcorreram com o Ligier P1 liderando, 2 voltas à frente do Porsche GT3 e três sobre o Lamborghini GT3. Na oitava hora, a diferença caiu para 2 e 1 volta, respectivamente.

Publicidade

Com 8 horas e meia, uma lambança da G Force atrasou o Ligier. O carro tinha um drive through a cumprir. Ao entrar no pit lane, ele parou no box e teve sua porta aberta, antes de o piloto ser lembrado que deveria seguir reto para cumprir a penalização. Duas voltas depois, nova entrada nos boxes para cumprir o drive through corretamente. Mais poucas voltas adiante, nova parada, dessa vez para fazer as devidas trocas de pneus, piloto e o reabastecimento. A vantagem confortável havia evaporado e a corrida voltava a ficar totalmente aberta.

Lamborghini Huracan GT3 Evo
Foto: Paulo Abreu

Às 9 horas de prova, o cenário era o Lamborghini à frente, se valendo da estratégia descasada e de um ritmo alucinante após o incidente com a porta; Ligier em 2º, separado do líder por vários retardatários, e Porsche em 3º, também com vários retardatários no meio do caminho.

Demorou menos de meia hora para que o Ligier conseguisse alcançar e passar o Lamborghini, retomando a liderança da corrida. A diferença de ritmo era de 3 segundos por volta. Em condições normais de temperatura e pressão, um GT3 não consegue segurar um protótipo desse quilate. O Lamborghini parou e voltou em 3º.

Com 10 horas e meia, Ligier e Porsche fizeram paradas longas, enquanto o Lamborghini fez apenas um rápido reabastecimento, o que rendeu a liderança ao V10 italiano no mesmo momento, uma nova bandeira amarela causada por forte acidente entre um Mercedes A45 AMG da GT4 e um Audi A3 da Turismo T2. Com corrida liberada, não demorou para o Ligier alcançar e ultrapassar o Lamborghini, como fizera pouco mais de uma hora antes.

Publicidade

O protótipo entrava na hora final bem encaminhado rumo à vitória. O Lamborghini foi para os boxes e voltou em 3º, duas voltas atrás dos líderes. A Sttutgart, mesmo já tendo sofrido uma pane seca, optou por arriscar levar o Porsche 911 até o fim e contar com uma nova parada o Ligier.

Não aconteceu. O Ligier JSP 320 #22 cruzou a linha de chegada ao meio-dia do aniversário de São Paulo, sob show pirotécnico, e a equipe G Force pôde soltar o grito entalado na garganta desde o ano passado, quando perdeu a corrida em seus momentos finais.

Vitória do quarteto formado por Rafa Brocchi, André Moraes Jr., Flávio Abrunhosa e Daniel Lancaster. O Porsche 911 GT3R #55 ficou em 2º no geral e primeiro na categoria GT3, com o Lamborghini Huracan Evo GT3 #420 ficou logo atrás em ambas as classificações.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se