F1: Jean Todt revela por que Adrian Newey rejeitou a Ferrari

Ex-chefe da escuderia italiana detalha as negociações com o mestre do design e o motivo pessoal que impediu a união mais aguardada do grid

14 abr 2026 - 13h04
Foto: F1 Content Pool / Reprodução

O casamento nunca concretizado entre Adrian Newey e a Ferrari é um dos capítulos mais intrigantes da história da Fórmula 1. Recentemente, Jean Todt, o homem que liderou a era de ouro da Scuderia nos anos 2000, trouxe à tona novos detalhes sobre as tentativas de levar o brilhante engenheiro britânico para Maranello. Segundo Todt, as conversas foram reais e profundas, mas esbarraram em uma barreira que ia além das questões técnicas ou financeiras: a relutância de Newey em se mudar para a Itália.

A primeira grande aproximação ocorreu em 1993, quando Todt iniciava sua gestão como diretor geral da Ferrari. Naquela época, o time buscava desesperadamente os melhores talentos para encerrar um longo jejum de títulos e Newey, que já brilhava na Williams com o modelo FW15, era o alvo principal. Todt explicou que, para construir uma equipe vencedora, era necessário reunir os melhores mecânicos, engenheiros e parceiros do mercado. Embora tenha havido uma discussão direta com o projetista, ele deixou claro que não tinha o desejo de deixar o Reino Unido e transferir sua vida para o solo italiano.

Publicidade

Além do aspecto cultural e da resistência à mudança de país, fatores familiares pesaram significativamente nas decisões de Newey ao longo das décadas. Na década de 90, com filhos pequenos em idade escolar, o engenheiro priorizou a estabilidade da família na Inglaterra, optando por permanecer em equipes como Williams e, posteriormente, McLaren. O próprio Newey já admitiu em entrevistas passadas que a Ferrari é uma marca lendária e tentadora, mas que o custo pessoal de uma mudança estrutural para outro país sempre pareceu alto demais para os seus planos de vida.

Diante da negativa de Newey em 1993 e em abordagens subsequentes, Jean Todt precisou buscar alternativas para o projeto técnico da Ferrari. O resultado dessa busca foi a contratação de Ross Brawn e Rory Byrne em 1997, vindos da Benetton. Essa dupla, ao lado de Michael Schumacher, acabou formando a base técnica que dominou a categoria nos anos seguintes. Todt recorda que, na época, negociou com ambos sem que um soubesse do outro, selando o acordo que transformaria a história da equipe, ainda que sem o "toque de Midas" de Adrian Newey.

Hoje, mesmo após décadas de especulações e novas propostas, incluindo uma recente antes de seu acerto com a Aston Martin, o motivo revelado por Todt permanece como a grande explicação para o vácuo na carreira de Newey. O mestre dos projetos aerodinâmicos, responsável por carros icônicos na Williams, McLaren e Red Bull, encerra ciclos e inicia novos desafios, mas mantém a Ferrari como o único grande "e se" de sua trajetória, provando que, na elite da Fórmula 1, decisões de vida podem ser tão determinantes quanto os túneis de vento.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações