A Fórmula 1 se prepara para um embate político que pode definir o destino do campeonato de 2026 em diante. Enquanto a grande maioria do público aguarda pelas atualizações das equipes para o GP de Miami, as fabricantes e a FIA travam uma disputa silenciosa por debaixo dos panos sobre quem terá o direito de evoluir seus motores ainda este ano através de uma nova regra.
A regra em questão é o ADUO (sigla em inglês para Oportunidades Adicionais de Design e Atualização). Como vai funcionar: após a corrida de Miami, a FIA vai analisar o desempenho de todos os motores. Se uma marca estiver a mais de 2% atrás da referência do grid (cerca de 10 cavalos de potência), ela ganha o direito a uma atualização extra. Se a distância for superior a 4% (pouco mais de 21 cavalos de potência), a equipe pode atualizar a unidade de potência em até duas vezes.
Até aqui, parece simples. Mas o problema começa quando entra a definição de “referência”. De acordo com o The Race, há um burburinho crescente de que a Red Bull pode estar à frente das demais marcas, embora a Mercedes seja amplamente vista por quem está fora do paddock como a mais forte.
Se os dados da FIA confirmarem que o motor da equipe austríaca é o melhor de forma isolada, até mesmo a Mercedes poderia, teoricamente, entrar na zona de benefício e receber permissão para melhorar ainda mais seu desempenho.
Outro detalhe importante: a análise da federação considera apenas o motor de combustão interna. Ou seja, qualquer vantagem em sistemas híbridos ou baterias simplesmente não entra nessa conta, o que pode distorcer a leitura real de desempenho.
Além disso, existe o risco real de manipulação. Para evitar que as equipes "escondam o jogo" e finjam fraqueza apenas para poder atualizar a unidade de potência, a FIA mantém em segredo os critérios exatos de medição. A entidade precisa distinguir o que é um motor genuinamente lento de um que está sendo operado em modo conservador.
No fim das contas, o ADUO criou uma situação curiosa: ser o melhor nem sempre é bom.
Ser reconhecido oficialmente pela como a fabricante mais lenta não é mais um sinal de fracasso, mas sim uma jogada estratégica que pode decidir os próximos títulos mundiais da Fórmula 1.