Alan Permane, chefe da equipe Racing Bulls, acredita que o regulamento de 2026 da Fórmula 1 deve passar por mudanças graduais ao longo da temporada. Os ajustes nas unidades de potência, segundo ele, devem ser implementados de forma contínua em diferentes etapas do calendário, considerando a sequência desafiadora das próximas provas.
A Federação Internacional do Automobilismo (FIA), em conjunto com as 11 equipes da categoria e seus respectivos representantes das unidades de potência, está realizando uma série de reuniões para formular soluções que aprimorem o regulamento de 2026. Nesse cenário, o forte acidente sofrido por Oliver Bearman em Suzuka intensificou as discussões. O foco principal se concentra na redução dos riscos de segurança relacionados ao aumento da velocidade de aproximação entre os carros, além de preservar o espetáculo da classificação.
Algumas soluções serão discutidas em uma reunião na segunda-feira, seguida de uma votação eletrônica. As mudanças resultantes serão implementadas já no GP de Miami, embora o diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, tenha sugerido recentemente que pode haver uma implementação em duas etapas das alterações nas regras.
Segundo Tombazis, as mudanças discutidas focam no que a FIA classifica como regras que não exijam alterações no hardware dos carros, mas possam demandar mudanças de configuração e de software. O diretor também afirmou que essas modificações podem ser implementadas a curto prazo, com impacto direto na velocidade de aproximação entre os carros e na satisfação dos pilotos.
De acordo com Alan Permane, faria sentido implementar ajustes ao longo de várias corridas devido à complexidade das próximas etapas e do calendário da F1 de 2026. Miami e Montreal, por exemplo, são provas sprint, com apenas um treino livre de 60 minutos na sexta-feira. Esse formato dificulta a realização de mudanças significativas na gestão de energia, considerando também as esperadas atualizações aerodinâmicas em todas as equipes.
O GP de Mônaco, corrida seguinte, também não é um campo de testes ideal. Devido às baixas velocidades e ao tempo limitado em aceleração máxima, não seria um circuito onde se espera que os carros estejam com pouca energia desde o início.
“Acho que as mudanças podem acontecer em muito mais fases do que isso”, disse Permane. “Há muitas sugestões que foram apresentadas. Acho que teremos uma dificuldade particularmente grande em Miami, numa corrida contra o tempo, porque há muito pouco tempo para testar qualquer coisa. Portanto, pode ser que experimentemos algumas das mudanças que são, digamos, um pouco mais simples e menos arriscadas em Miami, e depois outras em Montreal. E, claro, vamos para Mônaco, onde é quase impossível testar qualquer coisa.”
Uma nova rodada de mudanças mais profundas poderia ganhar força a partir do GP da Espanha, em Barcelona, no final de junho. O circuito oferece cenário mais adequado para esse tipo de teste, por reunir características de um fim de semana regular, além de ser uma pista conhecida pelas equipes, por conta da realização do shakedown de pré-temporada, em fevereiro. Antes disso, o GP da Áustria também aparece como outra oportunidade no calendário, servindo como uma etapa intermediária antes da próxima fase mais decisiva, em Silverstone.
Nesse contexto, Permane indicou que as mudanças não devem ser tratadas como um pacote fechado de duas atualizações, mas sim como um processo contínuo e aberto a novas adaptações durante a temporada. Ele também acredita que Barcelona pode marcar a estreia de algumas soluções mais complexas, mesmo que a continuidade desse trabalho dependa das definições da FIA e da Fórmula 1, sem que a categoria precise se limitar a um número específico de intervenções.
No entanto, após ter visto algumas das sugestões para reduzir ou ajustar o consumo de energia, propostas na reunião da semana passada, o chefe da equipe Racing Bulls minimizou os receios de que as alterações no software da unidade de potência e nos regulamentos possam causar problemas às equipes.
“Todas essas mudanças terão que passar pelo grupo de trabalho da unidade de potência”, explicou Permane. “Tudo passará pela governança, a menos que seja algo relacionado à segurança, e tenho certeza de que a FIA será bem rigorosa quanto a isso, pois não querem que aconteça novamente. Mas as outras questões terão que passar pelo grupo de trabalho da unidade de potência, do qual a Red Bull Powertrains faz parte. Nada do que vi parece particularmente preocupante. Há algumas coisas muito sensatas ali.”
Mas ele também alertou que as partes interessadas da categoria devem tomar cuidado com "consequências não intencionais". Permane argumentou que a redução significativa da energia elétrica tornaria as curvas desafiadoras ainda mais lentas, por conta de as velocidades de entrada serem menores. Ainda assim, reforçou que qualquer alteração precisa ser conduzida com prudência, justamente pelo risco de gerar efeitos colaterais não previstos. Segundo Permane, a principal preocupação é evitar que os carros se tornem mais lentos.
O chefe de equipe ainda ponderou que, embora existam críticas à técnica de tirar o pé do acelerador e ao excesso de aproveitamento do vácuo nas retas, a solução para eliminar esses pontos não pode ser drástica, para evitar impactos negativos no equilíbrio geral das corridas.
“Não acho que devamos tornar as curvas menos desafiadoras, então acho que precisamos ter cuidado, e sei que eles estão tendo cuidado com isso. Acho que haverá mudanças para Miami, com certeza, mas não tenho certeza se veremos todas as mudanças em Miami, porque acho que o formato do evento naturalmente fará com que as pessoas queiram ser cautelosas”, finalizou Alan Permane.