Na quarta-feira (3), que antecedeu o Grande Prêmio de Mônaco, Leclerc e Ferrari anunciaram a extensão do contrato do monegasco, que anteriormente era válido até 2029. O vínculo foi ampliado por mais alguns anos, embora nenhuma data tenha sido divulgada. No entanto, logo após o anúncio, o piloto viveu dois finais de semana para esquecer.
O primeiro deles aconteceu justamente em seu quintal de casa. Não são novidade os acidentes de Leclerc nas ruas do Principado, mas desta vez o episódio gerou ainda mais repercussão. O piloto garantiu um quarto lugar no grid, mas bateu pouco depois e não conseguiu concluir a corrida. O acidente ocorreu no mesmo trecho em que, algumas voltas antes, Lance Stroll já havia abandonado a prova.
Segundo Leclerc, o problema estava nos freios, que eram diferentes dos utilizados por seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton. A declaração irritou a fabricante italiana Brembo, que divulgou um comunicado reforçando que sempre foi a fornecedora escolhida pela Ferrari, dando a entender que a falha não estava no equipamento.
Independentemente de quem estivesse certo, ficou claro que Leclerc falou além da conta em um momento de frustração, algo que aconteceu poucos dias após o anúncio da renovação contratual. Com a notícia, surgiram questionamentos sobre se essa era realmente a melhor escolha para ambas as partes.
Leclerc está na escuderia desde 2019 e, nesse período, conquistou oito vitórias, 27 pole positions e 52 pódios. A Ferrari, por sua vez, busca encerrar um jejum de quase 20 anos sem títulos. Kimi Räikkönen foi o último campeão da equipe, em 2007, enquanto o mais recente Mundial de Construtores veio no ano seguinte. O piloto também sonha com essa conquista, mas será que eles conseguirão alcançá-la juntos?
Se as vozes que levantavam esse questionamento eram discretas em Mônaco, elas ganharam força após a corrida em Barcelona, no fim de semana seguinte. Leclerc voltou a cometer um erro na classificação e, sem poder colocar a culpa em ninguém além de si mesmo, viu sua situação se complicar ainda mais na corrida. Seu carro não cruzou a linha de chegada, quebrou a poucas voltas do fim. Para piorar, Hamilton conquistou sua primeira vitória pela Ferrari. A última vez que a equipe italiana havia vencido uma corrida foi com Carlos Sainz, em Las Vegas, em 2024.
É verdade que um, ou até dois, finais de semana ruins não definem um campeonato, muito menos justificam ou invalidam a decisão de assinar um contrato de longo prazo. Porém, já são oito anos de parceria com resultados abaixo das expectativas. Ao mesmo tempo, há uma fila de pilotos interessados em ocupar um assento na equipe. O heptacampeão Hamilton pode estar próximo do fim da carreira, mas tornou-se uma peça importante para a Ferrari e, mesmo que anuncie sua aposentadoria, isso abriria apenas uma vaga em uma das equipes mais desejadas do grid.
A renovação representa mais um voto de confiança de que essa parceria, em algum momento, finalmente entregará resultados concretos. Caso isso não aconteça, a responsabilidade poderá ser dividida igualmente entre um piloto que optou por não buscar novos desafios, ou que talvez não tenha recebido propostas mais atraentes, e uma equipe que preferiu permanecer confortável com alguém formado dentro de casa em vez de apostar em uma dupla completamente nova.
O que não se pode negar é que um risco foi assumido com essa renovação. Apenas o futuro dirá se esse foi o caminho correto. No entanto, a balança tende a favorecer a Ferrari, uma equipe que sempre estará presente na Fórmula 1. Já o tempo de Leclerc na categoria é inevitavelmente limitado.