Fórmula E: Estabilidade pode ser a chave do sucesso? Mahindra diz que sim!

Equipe mantém Mortara e de Vries no desenvolvimento do novo carro e caminha para quarta temporada consecutiva com a mesma dupla

27 ago 2026 - 10h04
Nyck de Vries conduz Gen3 EVO da Mahindra durante FP em Londres
Nyck de Vries conduz Gen3 EVO da Mahindra durante FP em Londres
Foto: Fórmula E / Divulgação

Enquanto boa parte do grid da Fórmula E se movimenta para definir suas duplas para a era Gen4, a Mahindra parece seguir na direção oposta: preservar o que já conhece. A equipe continua o desenvolvimento do novo carro com Edoardo Mortara e Nyck de Vries, dupla que caminha para uma quarta temporada consecutiva como companheira de equipe, embora o futuro dos dois ainda não esteja completamente confirmado.

Os pilotos participaram nesta semana de mais uma sessão de testes do Gen4 em Guadix, na Espanha. O trabalho integra o programa de desenvolvimento da Mahindra antes da homologação do novo carro pela FIA, prevista para outubro. O protótipo já passou por testes no Reino Unido e por avaliações na Áustria, antes de seguir para a pista espanhola.

Publicidade

A continuidade dos pilotos ganha peso justamente pelo momento de transição. Com a chegada de uma nova geração de carros, as equipes precisam adaptar projetos, conceitos e métodos de trabalho. Nesse cenário, manter uma dupla familiarizada com a estrutura pode representar uma vantagem. Os pilotos já conhecem os procedimentos da equipe e podem contribuir para o desenvolvimento sem que a escuderia precise administrar, ao mesmo tempo, uma mudança completa no cockpit.

Mortara, inclusive, demonstrou interesse em participar desse processo. Questionado pelo Formula E Notebook sobre a chegada do Gen4, o suíço destacou que nunca teve medo de desafios técnicos e afirmou que gosta de situações nas quais acredita que pode influenciar o caminho de uma equipe.

“Se você olhar para a minha carreira, eu nunca tive realmente medo ou preocupação com desafios desse tipo, desafios técnicos”, afirmou.

A declaração ganha importância diante do momento vivido pela Mahindra. O projeto do Gen4 sofreu atrasos e só foi oficialmente confirmado no fim de 2025, o que aumenta a relevância do trabalho realizado durante os testes. Para uma equipe que ainda busca transformar evolução técnica em resultados consistentes, ter pilotos que já conhecem o ambiente pode ser um ativo importante.

Mas a estabilidade ainda não é uma certeza absoluta. De Vries, que conquistou duas vitórias pela Mahindra na temporada passada, em Mônaco e Tóquio, já teria chegado a um novo acordo com a equipe, segundo o Formula E Notebook. A tendência, portanto, é que o holandês permaneça no time. Ainda assim, existe uma questão a ser resolvida, o piloto também deve continuar com a Toyota no Mundial de Endurance (WEC), o que pode gerar um conflito de calendário entre a Fórmula E e o campeonato de longa duração. A expectativa é que a Mahindra defina como lidará com a situação antes do início da temporada.

Publicidade

Do outro lado da garagem, a situação de Mortara parece menos definida. O piloto foi questionado sobre a possibilidade de seguir na equipe e respondeu de maneira cautelosa: “Vamos considerar que eu pilote no próximo ano”. A escolha das palavras deixa claro que, apesar de participar ativamente do desenvolvimento do Gen4, sua permanência ainda não deve ser tratada como oficial.

Caso os dois continuem, a Mahindra terá algo cada vez mais raro no atual mercado da categoria de elétricos, uma dupla que atravessa uma mudança de geração sem alterações. Em vez de aproveitar o Gen4 para promover uma reformulação completa, a equipe poderá apostar no conhecimento acumulado por Mortara e de Vries para tentar dar um passo adiante.

A estratégia, porém, só poderá ser considerada acertada quando o novo carro começar a mostrar seu verdadeiro potencial. A estabilidade pode facilitar o desenvolvimento, mas também coloca sobre a mesma dupla a responsabilidade de transformar anos de conhecimento em resultados. Por enquanto, a Mahindra parece ter escolhido não trocar as peças enquanto constrói o próximo capítulo. Resta saber se essa continuidade será o ingrediente que faltava para fazer o Gen4 funcionar, ou apenas uma maneira de entrar em uma nova era com os mesmos problemas de antes.

Fique por dentro das principais notícias de Esportes
Ativar notificações