O piloto Beto Monteiro, atual líder da Copa Truck, concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Parabólica nos bastidores das atividades de pista. Dono de um histórico vitorioso com seis triunfos no Autódromo de Interlagos pela categoria, o pernambucano analisou o atual momento do campeonato, detalhou os desafios de adaptação entre diferentes carros de corrida e celebrou o peso de carregar uma marca global como a Texaco de forma inédita no cenário dos pesados, prevendo um campeonato extremamente equilibrado até o fim da temporada.
A liderança conquistada nestas primeiras etapas é vista por Monteiro como uma honra, fruto de um trabalho contínuo e focado da equipa, mas sem espaço para qualquer tipo de acomodação. Ciente do nível técnico da grelha atual, o piloto destaca que a regularidade será o fator determinante para se manter no topo da tabela.
"Para mim é uma honra. Estar em primeiro é o que a gente faz, a gente trabalha exclusivamente para isso, para estar em primeiro no campeonato. Mas o campeonato está muito competitivo. Eu estou (na liderança) agora, a gente não sabe amanhã como é que vai ser, e tomara que eu permaneça até ao final do ano. A previsão é de uma luta duríssima até ao final do ano com o campeonato, porque a competição está muito competitiva, está muito, muito apertado para todo o mundo"
A mística e a importância de Interlagos
Correr em Interlagos possui um significado diferente para o líder do campeonato. Além de ser o traçado onde acumula um excelente retrospecto e seis vitórias na Copa Truck, o circuito paulista é reverenciado pelo piloto como o ponto central do esporte a motor no país, atraindo visibilidade e relevância comercial estratégica para equipes e patrocinadores.
"Interlagos é especial para todo o mundo, não é? Porque Interlagos é o templo do automobilismo brasileiro, é uma referência mundial, onde a Fórmula 1 vem correr, o mundo inteiro conhece. Tem uma vibe diferente e acaba por ser a principal corrida do ano, praticamente, sem querer. Não é o objetivo, mas acaba por ser porque a maioria dos patrocinadores estão aqui, é uma etapa que atrai sempre muita gente. Eu adoro correr aqui e espero que continue complementando essa estratégia."
O desafio dos caminhões vs. carros
Com passagens e atuações simultâneas em categorias de prestígio, como a Nascar Brasil e a Stock Car, Beto Monteiro é um dos poucos pilotos que conseguem transitar com naturalidade entre veículos de características completamente distintas. Nos últimos três anos, o piloto encarou jornadas duplas divididas entre os carros de turismo e os brutos da Copa Truck no mesmo fim de semana, mantendo o rendimento em alto nível.
Segundo ele, a transição de pilotagem exige uma rápida chave mental para lidar com a colossal potência dos camiões de corrida. "Talvez a diferença, pelo menos para mim, não seja tão grande como são os dois equipamentos de pesos, dimensões e potências diferentes. Particularmente, eu sento em cada um como se não tivesse andado no outro. É uma adaptação que, graças a Deus, até hoje não tive dificuldade", explicou.
O encanto por pilotar um caminhão em alta velocidade continua a ser uma das grandes motivações da sua trajetória profissional. O piloto reforça o quão impressionante é ver o comportamento dinâmico destes gigantes nas pistas: "O caminhão é um negócio fantástico, tem muita potência. Você ver um carro de corrida rápido é comum, porque há vários carros esportivos por aí. Mas se você ver um camiãnho com a velocidade que tem, então é diferente. A mão de obra, o jeito de guiar é encantador."
Parceria histórica com a Texaco
A temporada atual também marca o início de um capítulo importante na carreira de Monteiro: a parceria com a Texaco. A gigante dos lubrificantes e combustíveis, historicamente ligada a grandes equipes do automobilismo global, faz a sua estreia oficial numa categoria de caminhões no Brasil, escolhendo o piloto pernambucano como seu embaixador oficial nas pistas.
"A Texaco veio e para mim é uma honra representar uma marca como essa. Eu cresci vendo a Texaco como referência global no motorsport; todas as categorias grandes pelo mundo têm ou tiveram a marca. Acaba sendo uma chancela. É uma responsabilidade muito grande levar uma marca como a Texaco, mas eu sime sinto muito honrado e feliz pelo facto de ter sido o primeiro a ser abraçado na categoria, na primeira vez que eles estão numa categoria de caminhões. Estou muito feliz e a dar o máximo para representar da forma como é o tamanho da Texaco."