RIO - As promoções da campanha de liquidações da Black Friday turbinaram o desempenho do comércio varejista em novembro. O volume vendido cresceu 1,0% em relação a outubro, inaugurando novo patamar recorde de vendas na série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta quinta-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado superou as expectativas mais otimistas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 1,0% a uma alta de 0,9%, resultando em mediana positiva de 0,2%.
"Novembro teve influência da Black Friday. Foi a melhor promoção desde 2021", frisou o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio no IBGE, Cristiano Santos.
Houve contribuição também da trégua da inflação em componentes importantes para o comércio, como nos alimentos para consumo no domicílio, e do aquecimento do mercado de trabalho, com emprego e massa de renda em expansão, acrescentou o pesquisador do IBGE.
Na passagem de outubro para novembro, sete das oito atividades varejistas registraram expansão nas vendas:
- Equipamentos de informática e comunicação (4,1%);
- Móveis e eletrodomésticos (2,3%);
- Artigos farmacêuticos e de perfumaria (2,2%);
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas de departamento (2,0%);
- Livros e papelaria (1,5%);
- Supermercados (1,0%); e
- Combustíveis (0,6%).
A única perda ocorreu em vestuário e calçados (-0,8%).
No comércio varejista ampliado — que inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício —, as vendas cresceram 0,7% em novembro ante outubro. Material de construção teve alta de 0,8%, mas veículos recuaram 0,2%. O segmento de atacado alimentício não possui divulgação nessa comparação por não acumular número suficiente de meses para submissão à modelagem de ajuste sazonal.
As vendas de atividades varejistas ligadas aos descontos da Black Friday refletem uma antecipação das compras de Natal, considerou o economista Rafael Prado, da GO Associados. Ele ressalta também o dinamismo visto na atividade de artigos farmacêuticos, cujo volume vendido alcançou novo ápice em novembro.
"Isso está relacionado à renda, mas também ao fator estrutural, de maior fôlego do setor de saúde no País", afirmou Prado.
Massa salarial em nível recorde
Para o economista sênior do banco Inter, André Valério, o momento de massa salarial em nível recorde deve contribuir para que o varejo mantenha um desempenho favorável nos próximos meses.
"Vemos o mercado de trabalho robusto provendo sustentação para esse resultado, com os setores mais sensíveis à renda avançando 1,1%, acelerando em relação à taxa de outubro, que foi uma alta de 0,34%", observou Valério.
A estabilidade do câmbio também ajuda a explicar o crescimento significativo das vendas do varejo em novembro, citou o chefe de macroeconomia da Kínitro Capital, João Savignon.
"Observamos um desempenho positivo disseminado, impulsionado pelas promoções da Black Friday e pelo câmbio mais estável no período", avaliou Savignon.
Na comparação com novembro de 2024, as vendas do varejo restrito tiveram alta de 1,3% em novembro de 2025.
Segundo Cristiano Santos, do IBGE, o comércio varejista vai crescer menos em 2025 ante 2024, mas permanece mostrando fôlego, por manter a trajetória de avanços em cima de uma base de comparação já elevada. No acumulado em 12 meses até novembro, houve alta de 1,5%. No ano de 2024, o volume vendido tinha aumentado 4,1% em relação a 2023.
A taxa acumulada em 12 meses vem perdendo força desde abril de 2025, mas o resultado ainda mostra força, disse Santos.
"Isso mostra fôlego no varejo, que vinha de base de comparação elevada em 2024. Mostra também que 2024 foi um ano muito forte. Apesar desse crescimento forte em 2024, a gente tem ganhos de 1,5% em 2025", ponderou Cristiano Santos. /Com Anna Scabello e Daniel Tozzi