Vendas do comércio sobem 1% em novembro, com impulso das promoções da Black Friday

Resultado ficou acima do teto das estimativas do mercado colhidas pelo 'Projeções Broadcast'; na comparação anual, vendas cresceram 1,3%

15 jan 2026 - 12h18

RIO - As vendas do comércio varejista subiram 1,0% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal, informou nesta quinta-feira, 15, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,9%, com piso de queda de 1% e mediana positiva de 0,2%.

Publicidade

Na comparação com novembro de 2024, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1,3% em novembro, resultado que também superou o teto das estimativas, que iam desde uma queda de 2,4% até uma alta de 1,2% (mediana de 0,1%).

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 1,5% no ano, que tem como base de comparação o mesmo período do ano anterior. No acumulado em 12 meses, houve alta de 1,5%, ante avanço de 1,7% até outubro.

Alta do varejo restrito em novembro está ligada aos descontos da Black Friday, segundo analistas
Alta do varejo restrito em novembro está ligada aos descontos da Black Friday, segundo analistas
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

A alta do varejo restrito em novembro está ligada aos descontos da Black Friday, que contribuíram para a antecipação do consumo das compras de Natal, considera o economista Rafael Prado, da GO Associados. O forte desempenho de móveis e eletrodomésticos — categoria ligada ao crédito —, porém, pode refletir em parte uma reversão estatística após queda em outubro, ressalta.

Segundo Prado, os artigos farmacêuticos vêm apresentando maior dinamismo, com uma das maiores taxas de crescimento no acumulado do ano até novembro (4,1%). "Isso está relacionado à renda, mas também ao fator estrutural, de maior fôlego do setor de saúde no País", afirma.

Publicidade

Para o economista sênior do Inter, André Valério, no cenário de massa salarial em nível recorde, ainda avançando, o varejo restrito deve continuar com desempenho robusto nos próximos meses.

"Também vemos o mercado de trabalho robusto provendo sustentação para esse resultado, com os setores mais sensíveis à renda avançando 1,1%, acelerando em relação à taxa de outubro, que foi uma alta de 0,34%", observa Valério.

O head de macroeconomia da Kínitro Capital, João Savignon, destaca a estabilidade do câmbio durante as promoções do período de Black Friday como um fator que ajuda a explicar o crescimento significativo das vendas do varejo em novembro.

"Observamos um desempenho positivo disseminado, impulsionados pelas promoções da Black Friday e pelo câmbio mais estável no período", avalia Savignon, mencionando que, à exceção do segmento de vestuário, todas as demais categorias do varejo restrito cresceram na margem em novembro.

Publicidade

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção, de veículos e de atacado alimentício, as vendas subiram 0,7% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com novembro de 2024, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 0,3% em novembro. As vendas do comércio varejista ampliado acumularam recuo de 0,3% no ano. No acumulado em 12 meses, houve queda de 0,2%, ante estabilidade até outubro.

Rafael Prado, da GO Associados, observa que, por outro lado, o varejo ampliado apresentou um crescimento menor, atrelado à perda de força nas vendas de veículos em novembro. A estimativa da GO para o crescimento de 0,1% para o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre segue inalterada.

Com o resultado de novembro, o varejo passou a operar em patamar 0,7% abaixo do recorde de vendas visto em março de 2025.

O varejo ampliado, que cresceu 0,7% em novembro ante outubro, operava 0,5% aquém do pico da série histórica, alcançado em março de 2025.

Publicidade

Das oito atividades do comércio varejista analisadas na pesquisa, o IBGE informou que as vendas de artigos farmacêuticos operam em patamar recorde em novembro de 2025. Já as vendas de supermercados operam em patamar 0,3% abaixo do recorde registrado em maio de 2024./Com Anna Scabello e Daniel Tozzi

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se