O Banco Central Europeu pode elevar as taxas de juros mais uma vez já no próximo mês caso detecte mais indícios de que a inflação na zona do euro está se espalhando para além do setor de energia, disse à Reuters o membro do BCE Pierre Wunsch, mesmo se o acordo entre os EUA e o Irã reduzir os preços do petróleo.
Na semana passada, o BCE elevou os custos dos empréstimos pela primeira vez em três anos. Desde então, um acordo de paz provisório entre Washington e Teerã provocou queda nos preços do petróleo, aliviando as preocupações com um choque inflacionário prolongado impulsionado pelos preços da energia.
Wunsch, que dirige o banco central da Bélgica e é frequentemente visto como um defensor de juros mais altos, disse que um acordo confirmado deve reduzir a inflação e apoiar o crescimento da zona do euro — podendo até mesmo levar a um excesso de oferta de petróleo no ano que vem.
Mas ele argumentou que o banco central da zona do euro ainda pode precisar aumentar os juros novamente se a inflação subir em setores como o de serviços — e mesmo se esse movimento acabe sendo revertido.
"Tivemos um dado não muito animador sobre a inflação nos serviços", disse Wunsch em entrevista à Reuters, realizada na quinta-feira. Ele se referia ao aumento da taxa anual de inflação nos serviços da zona do euro, que subiu de 3,0% para 3,5% em maio.
"Se observarmos mais disso, talvez seja melhor aumentar os juros em mais 25 pontos-base por precaução; depois, será possível reduzir as taxas quando começarmos a ver a dinâmica mudando de direção."
A taxa de depósito do BCE está atualmente em 2,25%, e os mercados financeiros esperam um novo aumento de 0,25 ponto percentual em setembro ou outubro, possivelmente seguido por mais um nos primeiros meses do próximo ano.
Fontes informaram à Reuters, após a decisão da semana passada, que as autoridades consideravam um aumento em setembro mais provável do que em julho, a menos que os preços do petróleo se recuperassem.
Wunsch disse que defenderá esperar até setembro apenas se os dados que surgirem se mostrarem inconclusivos, enfatizando a necessidade de monitorar a inflação em setores não diretamente ligados à energia, bem como os salários.
"Se os dados não estiverem indo na direção certa, eu defenderia um segundo aumento e não a espera", disse ele.
"Mas se o que observarmos for ambíguo, não vejo necessidade de pressa."