White Martins inaugura primeira fábrica de hidrogênio verde em escala industrial do Brasil

Unidade em Jacareí (SP) começa a operar em meio à crise global do setor

15 abr 2026 - 18h44
(atualizado às 19h31)

JACAREÍ (SP) - Em meio à paralisação e ao atraso de projetos de descarbonização em todo o mundo, a White Martins inaugurou oficialmente nesta quarta-feira, 15, sua segunda fábrica de hidrogênio verde no País. Trata-se da primeira instalação do gênero no Brasil em escala industrial. A outra unidade da empresa, em Pernambuco, opera comercialmente, mas tem o porte de uma planta piloto, com uma capacidade equivalente a 25% da fábrica nova.

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Instalada em Jacareí (a 85 km de São Paulo), a fábrica — cujo investimento necessário para construção não foi divulgado — tem capacidade para produzir 800 toneladas de hidrogênio por ano. Segundo o presidente da White Martins e da Linde na América Latina, Gilney Bastos, o volume de produção diário é suficiente para abastecer uma indústria de tamanho médio por até 35 dias — mesmo com uma equipe pequena: a previsão é de geração de 15 empregos.

Entre os fatores que garantiram, segundo o presidente da White Martins, a competitividade desse hidrogênio verde está o fato de a companhia ter autoprodução de energia. Nesse modelo de contrato, empresas de energia renovável constroem usinas para atender terceiros, garantindo custos inferiores. No caso da fábrica de hidrogênio verde de Jacareí, a energia é solar e eólica e é produzida em parceria, respectivamente, com a Eneva e a Serena.

Também favorecem o custo da White Martins a escala da companhia, que é líder global em gases industriais, e os desenvolvimentos dos projetos de engenharia internamente, acrescenta Bastos.

A consultoria Thymos, especializada em energia, calcula, entretanto, que a média global do custo de produção de um quilo de hidrogênio verde esteja em US$ 7. Para que o produto possa competir com o hidrogênio cinza e com o gás natural — outra fonte energética importante para a indústria —, o preço teria de cair pelo menos 50%.

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Apesar de ser a maior planta de hidrogênio verde do País, a fábrica de Jacareí é pequena quando comparada aos projetos do Nordeste, que estão em fase de decisão final de investimento. Essas plantas produzirão para exportação e demandarão até R$ 25 bilhões em investimentos.

"Uma fábrica de exportação é de 10 a 20 vezes maior do que essa", diz Bastos.

A própria White Martins tem projetos para vender para o mercado externo. Tirá-los do papel, porém, ainda depende de haver compradores. "Uma vez que a guerra termine, não acredito que nenhum político consiga se eleger pautando o desenvolvimento em queima de carvão. A gente acha que, terminada a guerra, os megaprojetos de hidrogênio verde vão voltar ao radar."

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