Warsh defende reformas políticas no Fed e critica previsões de longa duração no BC americano

Em audiência no Senado dos EUA, ele deixou em aberto sua opinião em relação à trajetória das taxas de juros. O tema foi motivo de novas críticas de Trump em relação a Powell

21 abr 2026 - 13h39
(atualizado às 13h56)

O indicado à presidência do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sinalizou que o banco central americano necessita de "reformas políticas fundamentais", em audiência na Comissão de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado americano, nesta terça-feira, 21. Na avaliação de Warsh, o Fed precisa de um novo quadro de inflação, bem como novas ferramentas e comunicações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou ao Senado em março o nome de Warsh para o comando do Fed por um mandato de quatro anos.

Warsh destacou que, se for confirmado para a sucessão de Jerome Powell, utilizará as atuais ferramentas de maneira "diferente", sem fornecer muitos detalhes. "Precisamos de uma mudança de regime na condução da política do Fed", acrescentou Warsh. Dentre outras críticas, ele citou que a instituição monetária "mantém suas previsões por mais tempo do que deveria".

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Durante a audiência, Warsh teve um diálogo acalorado com a senadora democrata Elizabeth Warren. Na ocasião, ela questionou se há algo na agenda econômica do presidente dos Estados Unidos com o qual o indicado discorde, considerando que o republicano disse anteriormente que "jamais" indicaria alguém com opiniões divergentes às suas para a chefia do Fed. Warren também perguntou se o possível futuro presidente possui investimentos em veículos criados por Jeffrey Epstein. "Esses bens serão vendidos se minha nomeação for confirmada", respondeu Warsh, após desviar da resposta em outras tentativas.

Trajetória das taxas de juros em aberto

Ele deixou em aberto sua opinião em relação à trajetória das taxas de juros e afirmou que é "cético" sobre a orientação futura do banco central americano. "A política monetária opera com defasagens. O Fed terá de se empenhar bastante nas próximas reuniões", ponderou. Questionado sobre os comentários de Trump, a favor de uma política monetária mais frouxa, Warsh defendeu o presidente americano dizendo que chefes de Estado costumam ser favoráveis a cortes de juros e que a única diferença é que Trump externaliza esse desejo. Analistas de mercado questionam se Warsh conseguirá uma solução diferente das atuais práticas do Fed.

O presidente americano voltou a criticar Powell ao dizer que o chefe do BC americano é "muito atrasado" em relação à sua abordagem sobre as taxas de juros, durante entrevista para a CNBC nesta terça-feira. Para ele, o país deveria ter as taxas mais baixas em todo o mundo. "Eu vou ficar muito desapontado se o novo presidente do Fed não reduzir as taxas de juros", afirmou. Apesar de demonstrar ser favorável a uma política monetária mais frouxa, Trump disse que aumentos nas taxas de juros para conter a inflação são "relativamente eficazes". "Tenho sido a favor do aumento das taxas de juros para combater a inflação", ponderou.

Em relação à macroeconomia, Warsh avaliou que o lado da oferta da economia está mudando drasticamente e disse não concordar que a inflação acima do esperado se deva às tarifas impostas pela atual administração. Para ele, é importante verificar qual é a taxa de inflação real e há "tempo limitado" para reduzir os preços. "Os dados utilizados para avaliar a inflação são bastante imperfeitos. O que mais me interessa é a taxa de inflação subjacente, minha impressão geral é que o risco de inflação melhorou um pouco. Acredito que a tendência da inflação seja bastante favorável", detalhou, ao acrescentar que a missão do Fed em relação à inflação pode diminuir com o tempo.

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O indicado ao comando do Fed disse que prefere usá-los como "a força dominante" e, se fossem reduzidos, uma gama mais ampla de pessoas se beneficiaria. "Muitos funcionários do Fed opinam antecipadamente sobre a trajetória dos juros, mas os juros precisam ser baseados em dados melhores e em perspectivas futuras", defendeu, ao pontuar a importância de permanecer "aberto a todos os tipos de dados". O possível sucessor de Jerome Powell destacou que a economia dos EUA está melhorando e pode melhorar ainda mais, ainda com espaço para crescimento. "A economia americana está perto do pleno emprego", disse.

Reforma em dados e menor balanço patrimonial

Warsh mencionou que uma das primeiras reformas do Fed deveria ser um projeto de dados e defendeu que, por conta dos impactos da inteligência artificial (IA), é crucial rever os modelos do Fed. "Há também uma questão sobre o que a IA significa para os empregos", comentou.

Na avaliação dele, um balanço patrimonial grande alimenta o papel político do Fed, mas o BC deve colaborar com o governo além da política monetária. E esse pode ser um dos pontos centrais do provável mandato do ex-diretor do Fed como chefe da instituição monetária. Warsh destacou que um balanço patrimonial menor significa taxas de juros mais baixas, inflação menor e economia mais forte. "O balanço patrimonial do Fed tem desempenhado um papel prejudicial no cumprimento do duplo mandato. É necessária uma redução gradual e cuidadosa dele", ressaltou, ao mencionar uma colaboração com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para trabalhar na redução.

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