A Vivo registrou lucro de R$ 6,2 bilhões em 2025, com expansão em 5G, fibra óptica e soluções digitais; ampliou investimentos no fundo Vivo Ventures e firmou um grande contrato de IoT com a Sabesp, além de reforçar seu compromisso com sustentabilidade e inovação.
A Vivo encerra 2025 lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, alta de 11,2%, receita de R$ 59,6 bilhões (+6,7%) e Ebitda, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de R$ 24,8 bilhões (+8,5%), com margem de 41,7%. Somente no quarto trimestre, a empresa atingiu R$ 1,9 bilhão, aumento de 6,5% em comparação com 2024 e com receita de R$ 15,6 bilhões. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira, 23, por Christian Gebara, CEO da Vivo.
Além dos números operacionais, a companhia reforçou a aposta em inovação aberta como pilar de crescimento ao ampliar o capital do Vivo Ventures para R$ 470 milhões — R$ 150 milhões a mais que o montante original.
“Esse investimento de R$ 150 milhões comprova que é a nossa aposta pela inovação aberta”, destacou Gebara.
Vivo Ventures no centro da estratégia digital
Desde sua criação em 2022, o fundo já investiu mais de R$ 220 milhões em 14 startups, sendo sete aportes realizados apenas em 2025. Entre os investimentos estão empresas como Asaas e 180 Seguros, com participações que variam, em média, entre 1% e 5%.
O fundo é peça complementar da estratégia de crescimento digital, segundo explica o CEO da Vivo. “A nossa aposta é decidida pela inovação aberta. Queremos flexibilidade para capturar oportunidades que incrementem a relevância das verticais onde atuamos.”
Os investimentos têm foco em áreas como serviços financeiros, saúde, fidelização e soluções corporativas, reforçando o ecossistema digital da empresa.
Crescimento com disciplina financeira
Os aportes da companhia somaram R$ 9,3 bilhões em 2025, equivalentes a 15,6% da receita --redução de 0,9 ponto percentual na comparação anual, refletindo disciplina financeira, no entanto, ampliando faturamento. A geração de caixa livre foi de R$ 9,2 bilhões (+11,4%). A remuneração aos acionistas totalizou R$ 6,4 bilhões, com payout de 103,4%.
“Alcançamos um dos melhores resultados financeiros de nossa história, sustentados por crescimento consistente e inovação contínua”, disse Gebara.
A maior parte do capex (investimentos para manter ou ampliar capacidade operacional) foi direcionada à expansão da rede, especialmente do 5G, que chegou a 716 municípios e passou a cobrir 67,7% da população. A rede de fibra alcançou 31 milhões de domicílios em 453 cidades.
A migração do modelo de concessão para autorização, formalizada com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), deve permitir intensificar investimentos em digitalização e cobertura. A companhia estima monetizar R$ 4,5 bilhões em ativos legados até 2028, sendo R$ 3 bilhões com venda de cobre e R$ 1,5 bilhão com imóveis.
Pós-pago lidera e 5G impulsiona vendas
A base total de acessos atingiu 116,7 milhões, dos quais 103 milhões na rede móvel. O pós-pago somou 70,8 milhões de linhas (+6,5%), mantendo liderança de mercado com 40,3% de participação.
No quarto trimestre, a receita móvel foi de R$ 9,8 bilhões (+7%), impulsionada pelo pós-pago, que cresceu 9% e faturou R$ 8,4 bilhões. A empresa adicionou 930 mil novos clientes pós-pagos no período, com churn mensal de 1%.
A venda de aparelhos e eletrônicos somou R$ 1,3 bilhão no trimestre (+13,7%). Smartphones 5G responderam por 97,1% das unidades comercializadas.
Os números reforçam a proposta da Vivo de ser um ponto completo para a venda de eletrônicos. “Em algumas cidades menores, a loja da Vivo é o único local onde é possível ter acesso aos eletrônicos.”
Fibra avança
O segmento fixo gerou R$ 4,4 bilhões no quarto trimestre (+5,4%). A receita de fibra atingiu R$ 2 bilhões (+9,8%), com 7,8 milhões de clientes conectados --alta anual de 12%.
A oferta convergente Vivo Total (fibra e móvel) chegou a 3,4 milhões de assinantes, crescimento de 40,9% em um ano, representando 43,2% da base de fibra.
B2B cresce quase 30% e fecha maior acordo de IoT
Os novos negócios digitais B2C e B2B cresceram 27% no ano, somando R$ 7,2 bilhões — 12,1% da receita total.
No mercado corporativo, as receitas chegaram a R$ 5,3 bilhões (+29,5%). Cloud foi o principal destaque, com crescimento de 37,8% e faturamento superior a R$ 2,6 bilhões. Serviços de cibersegurança, big data, IoT, mensageria e TI completam o portfólio.
A companhia firmou com a Sabesp o que classificou como o maior contrato de IoT do mundo, prevendo a instalação de 4,4 milhões de hidrômetros inteligentes em São Paulo e São José dos Campos.
“A nossa penetração de serviços digitais na base B2B ainda é de 15%. Temos uma oportunidade relevante de crescimento”, projetou Gebara. O B2B representou 22,6% da receita total em 2025.
Já no B2C, os novos negócios somaram R$ 2 bilhões (+20,7%). A vertical de Saúde e Bem-Estar faturou R$ 101 milhões (+69,9%), com 471 mil assinantes.
Sustentabilidade reforça posicionamento
Em ESG, a empresa manteve protagonismo. Foi a primeira colocada no Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3, ficou em quinto lugar global no setor de telecom no Corporate Sustainability Assessment da S&P Global e integrou a A-List do Carbon Disclosure Project. Também foi apontada como a mais sustentável da América Latina pela Corporate Knights.
Durante a COP 30, participou como apoiadora e painelista. Na agenda ambiental, lançou a iniciativa Floresta Futuro Vivo, em parceria com a re.green, com meta de recuperar e proteger 800 hectares na Amazônia ao longo de 30 anos.
Na frente social, a Fundação Telefônica Vivo investiu R$ 47 milhões em educação e inclusão digital, beneficiando mais de dois milhões de pessoas.