Pleno, Reag e Will: entenda as 8 liquidações em torno do caso do Banco Master

Oito instituições relacionadas ao Master passaram pelo processo de liquidação extrajudicial nos últimos meses

20 fev 2026 - 04h58
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master deixou o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos, SP, em novembro de 2025
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master deixou o Centro de Detenção Provisória em Guarulhos, SP, em novembro de 2025
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

Em três meses, de 18 de novembro a 18 de fevereiro, diversas instituições financeiras tiveram liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em torno do caso do Banco Master. Ao todo, oito instituições foram alvo da medida --sendo a mais recente a do Pleno, na manhã de quarta-feira, 18. Entenda mais sobre a situação.

Segundo o Banco Central, a liquidação extrajudicial é o regime de resolução que se destina a interromper o funcionamento da instituição e promover sua retirada do Sistema Financeiro Nacional (SFN). É adotado quando a interrupção do funcionamento da instituição não compromete a estabilidade financeira.

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Com a liquidação, há o Regime de Administração Especial Temporária (Raet), que tem como objetivo “preservar o funcionamento e a normalidade da instituição, favorecendo a ocorrência de uma solução de mercado, como transformação, incorporação, fusão, cisão ou transferência do controle acionário”.

Master 

No caso, as primeiras liquidações relacionadas ao caso Master atingiram as principais empresas do conglomerado: Banco Master S.A; Banco Master de Investimento S.A.; Banco Letsbank S.A; e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. As quatro foram liquidadas em 18 de novembro, um dia após Daniel Vorcaro, dono do Master, ser preso pela Polícia Federal em investigação sobre fraudes e possível fabricação de carteiras de crédito falsas. 

Segundo o BC, a decretação foi motivada pela “grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.

Reag

Depois, em janeiro, foi a vez da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) ser alvo da medida. A Reag é apontada como a gestora que o Banco Master utilizava no esquema de desvio. Segundo as investigações, o banco emprestava recursos a empresas aparentemente laranjas que aplicavam o dinheiro em fundos da Reag. A partir disso, esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real por preços inflados. 

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A Reag também chegou a ser alvo da Operação Carbono Oculto, megaoperação promovida pelo Ministério Público de São Paulo contra um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

“A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”, informou o Banco Central sobre o caso. 

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, complementa a autarquia em nota. 

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Will

Depois foi a vez da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, também em janeiro. A empresa vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, desde novembro.

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Por a controladora Will Financeira --que envolve o Will Bank, banco digital popular-- ser de pequeno porte, no primeiro momento o Banco Central tomou uma postura de tentar preservar o seu funcionalmente. “Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.”

A questão, segundo o BC, tornou inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”.

Pleno

Nos casos da Pleno, mais recente, a medida foi motivada pelo "comprometimento da situação econômico-financeira da instituição", que inclui deterioração da liquidez, infringência às normas que disciplinam sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central, segundo a autarquia.

A instituição era controlada por Augusto Lima, que é ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

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Até o momento, foram alvo de liquidação, nas respectivas datas:

  1. Banco Master S.A. – 18 de novembro;
  2. Banco Master de Investimento S.A. – 18 de novembro;
  3. Banco Letsbank S.A.  – 18 de novembro;
  4. Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – 18 de novembro;
  5. Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) – 15 de janeiro;
  6. Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento – 21 de janeiro;
  7. Banco Pleno S.A. – 18 de fevereiro;
  8. Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – 18 de fevereiro. 

*Com informações do Estadão Conteúdo

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Fonte: Portal Terra
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