São 18 horas de um dia de semana e esse é o único horário que você tem disponível para ir à academia. Chegando lá, outras não sei quantas pessoas fizeram a mesma coisa e você começa a luta para conseguir revezar a cadeira extensora. Quando consegue sentar ao aparelho, surge uma dúvida na execução do exercício, mas o professor está do outro lado da academia ocupado com outras tantas alunas.
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A descrição acima pode espelhar a rotina de inúmeras academias brasileiras, menos na Silva Gym, que se propõe a resolver “as dores” de quem costumava malhar nas academias tradicionais. Com mensalidades que chegam a R$ 1 mil, a marca funciona na base de um personal trainer a cada três alunos. Além disso, o espaço nunca está lotado, já que o cliente só pode ir treinar mediante agendamento.
“Para mim, já era óbvio o que eu ia fazer, porque para mim é muito simples o que as outras academias não entregam. Eu vejo que o mercado inteiro fica tentando dificultar, fica tentando inovar por outras vias, pensando muito em estrutura ainda, pensando muito em qual máquina vai usar, qual tecnologia e tal. E no final das contas é muito mais simples que isso”, defende Rafael Silva, de 28 anos, fundador da Silva Gym.
“Ninguém tenta resolver o que é o principal, que é serviço, atendimento, experiência, acolhimento. Ninguém nunca tinha tentado resolver isso porque é muito mais difícil. Você tem que ter criatividade, tem que ter treinamento, tem que ter supervisão muito forte”, complementa o empresário.
Na Silva Gym, além do agendamento para ir treinar, há também limite de alunos matriculados, que varia a depender do tamanho da unidade. Em média, são 500 alunos por academia da marca. Para Rafael, nesse cenário, eles atuam hoje sem concorrentes diretos.
“Não temos concorrente. Eu posso botar nesse mesmo quarteirão contra as quatro academias que estão competindo entre si por preço e eu encho. Às vezes, vejo isso na prática, por quê? Porque a Silva oferece o que todas elas não oferecem, é um modelo inverso, então é menos risco por menos capital empregado, é menos risco por precisar de menos aluno para ficar uma boa conta e é menos risco por não ter concorrência.”
O empresário se vê liderando um novo movimento no mercado fitness. Há alguns anos, ele considera que a rede SmartFit foi a pioneira no conceito de academias low cost, e, agora, Rafael quer ser pioneiro nesse setor.
De 2023, quando abriu, para cá, a empresa chegou a 12 unidades em operação. Em três anos, a empresa estruturou sua expansão por meio de franquias e já soma 12 unidades em operação, no Rio de Janeiro, São Paulo e Balneário Camboriú. Além disso, há mais de 25 contratos em negociação e a expectativa é alcançar um faturamento de R$ 70 milhões até 2026.
Crescimento e investimento
Apesar de atuar com franquias, Rafael não gosta de dizer que a Silva Gym é uma franqueadora. “Nós não temos a intenção de vender franquias. Não é o nosso objetivo”, esclarece. Mas, quando recebem indicações de interessados em expandir o uso da marca, o caso é avaliado.
Isso porque Rafael defende que para se vender a experiência proposta por eles é preciso de controle total da cultura da marca. Ainda assim, com relação ao investimento, ele explica que os interessados costumam gastar cerca de R$ 3 milhões para abrir uma unidade da Silva Gym, enquanto para academias mais tradicionais, o custo com maquinário deve ser mais alto.
Já para abrir a primeira Silva Gym e colocar o negócio para rodar, o investimento foi menor. Rafael, que cursou Nutrição e Educação Física na faculdade, junto com outros dois sócios, acreditava que com R$ 700 mil já era possível iniciar as operações, mas o custo acabou sendo de R$ 1,9 milhão.
“Tivemos que pegar mais empréstimo, vender bens, vender carro, apartamento que um outro sócio tinha. Tudo para conseguir continuar a obra e finalizar para começar o projeto. Então foi bem complicado, bem difícil, mas acredito que toda história de início do empreendimento é assim, então faz parte”, relembra.