Vendas do varejo recuam 0,4% em dezembro, mas fecham 2025 com alta de 1,6%

Foi o nono ano consecutivo de avanços; especialistas esperam recuperação no primeiro trimestre, impulsionada por isenções do IR e aumentos do salário mínimo

13 fev 2026 - 15h39

RIO - O volume vendido no varejo recuou 0,4% em dezembro ante novembro, segundo os dados da Pesquisa Mensal do Comércio no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira, 13. O setor encerrou 2025 com um aumento acumulado de 1,6% no volume de vendas, o 9º ano consecutivo de avanços.

O comércio varejista mantém um comportamento volátil, à medida que a demanda responde às condições econômicas restritivas, avaliou o banco Santander, em nota. Esse panorama, contudo, ainda é compatível com um desempenho estável para o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025, pontuaram os analistas do banco Gabriel Couto e Rodolfo Pavan.

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"Para o primeiro trimestre deste ano, esperamos alguma recuperação das vendas no varejo, impulsionada por isenções do imposto de renda e aumentos do salário mínimo", previram Natalia Cotarelli e Marina Garrido, em relatório do Itaú Unibanco.

Recuo no volume vendido em dezembro sucedeu pico histórico de vendas em novembro de 2025
Recuo no volume vendido em dezembro sucedeu pico histórico de vendas em novembro de 2025
Foto: Epitácio Pessoa/Estadão / Estadão

A queda de 0,4% no comércio varejista brasileiro em dezembro ante novembro foi decorrente de "uma Black Friday mais forte do que o Natal" no comércio no ano de 2025, avaliou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio no IBGE.

"Eventualmente, nas promoções de novembro no varejo, você consegue também fazer as compras para o Natal", apontou o pesquisador, sugerindo um movimento de antecipação de compras.

O recuo no volume vendido em dezembro sucedeu o pico histórico de vendas em novembro de 2025, adicionando assim o desafio de superar uma base de comparação bastante elevada, lembrou Santos.

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"Dezembro tem efeito base (de comparação elevada). Novembro era o pico da série, é mais difícil conseguir mais crescimento em volume", disse Santos. "Temos fatores que contribuíram para o crescimento do comércio diante de uma base de comparação já alta. O varejo vinha de um ano muito forte em 2024", lembrou.

Entre os impulsos ao consumo no varejo, o pesquisador mencionou o mercado de trabalho aquecido, com aumento no emprego e a massa de renda em alta, além da expansão do crédito à Pessoa Física. Outros elementos que ajudaram no desempenho positivo do varejo em 2025 foram a trégua da inflação em alguns meses do ano e a desvalorização do dólar ante o real, com impacto, sobretudo, na atividade de equipamentos de informática e comunicação.

No varejo ampliado — que inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício —, o volume vendido encolheu 1,2% em dezembro ante novembro. No ano de 2025, houve ligeira elevação de 0,1%.

As vendas do comércio varejista subiram 1,0% no quarto trimestre de 2025 ante o terceiro trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. Quanto ao varejo ampliado, as vendas subiram 1,5% no período.

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"Para 2026, a expectativa é de que o varejo restrito apresente crescimento próximo ao de 2025. O varejo ampliado deve voltar a acelerar, após o desempenho mais fraco do ano passado, impulsionado por programas de crédito voltados ao mercado imobiliário — que tendem a incentivar reformas residenciais — e pelo programa Carro Sustentável, que estimula as vendas de veículos populares. Para os demais segmentos, pesam positivamente a reforma do IR (isenção de Imposto de Renda Pessoa Física) e a continuidade do crédito ao trabalhador, permitindo a renegociação de dívidas mais caras e liberando espaço no orçamento. Em sentido contrário, o custo do financiamento segue elevado e os preços dos alimentos devem subir, ainda que de forma moderada", projetam os analistas Isabela Tavares e Rodrigo Mamede, da Consultoria Tendências, em relatório./Colaborou Letícia Correia

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