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Vazamento de petróleo no Golfo Pérsico caminha para se tornar o pior em anos, alertam agências

12 ago 2026 - 12h51

Um vasto derramamento de petróleo no Golfo Pérsico está se tornando ‌rapidamente um dos piores do mundo nos últimos anos, após ter se espalhado quase sem controle por semanas, segundo agências internacionais, imagens de satélite e grupos ambientalistas.

A mancha de óleo na costa de Omã, proveniente de um petroleiro encalhado que transportava petróleo russo, teria atingido o continente até quarta-feira, informou a agência de navegação da ONU à Reuters.

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A mancha agora cobre uma área de mais de 2.000 km², disse John Amos, especialista em derramamentos de petróleo que analisou imagens de satélite obtidas pela Reuters.

O Caroline Bezengi, que transportava cerca de 800 mil barris de petróleo russo e estava sujeito a ⁠sanções internacionais, encalhou em 30 de junho em uma ilha de Omã que faz parte de uma reserva natural marinha.

O navio relatou dificuldades pela primeira ‌vez ao largo do Iêmen em 8 de junho. Fontes marítimas afirmaram que parece ter ocorrido uma explosão a bordo do Caroline Bezengi.

Nenhuma parte assumiu a autoria do ataque, mas a embarcação navegava por duas zonas de conflito distintas em sua viagem da Rússia para a Índia.

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Em abril, ele ‌partiu do porto de Novorossiysk, no Mar Negro, um ponto nevrálgico da guerra entre ‌a Rússia e a Ucrânia. A Ucrânia realizou ataques contra a chamada "frota-sombra" que transporta petróleo russo, da qual o Caroline Bezengi faz parte.

Em ⁠seguida, o navio passou pelo Canal de Suez no final de maio, segundo dados de rastreamento, antes de passar pelo Iêmen, onde os militantes houthis, alinhados ao Irã, entraram em uma guerra regional mais ampla envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã.

Uma rede de regras complexas relacionadas à guerra e às sanções, que regem o transporte marítimo e derramamentos de petróleo, já está dificultando os esforços de resposta e ainda pode impedir que se evite um desastre iminente, afirmam seguradoras e analistas.

Os Fundos IOPC, uma agência intergovernamental responsável pela indenização em casos de derramamentos de petroleiros, informaram à ‌Reuters que não arcarão com os custos de limpeza, pois o incidente está sendo tratado como um "ato de guerra" e não como um simples acidente.

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O ‌petroleiro, com 25 anos de idade, também não ⁠está segurado por nenhuma seguradora ocidental reconhecida.

"Um ⁠cenário de pesadelo é não haver uma resposta adequada para impedir que o pior aconteça", disse o especialista em derramamentos de petróleo Amos, presidente-executivo da SkyTruth, uma ⁠organização sem fins lucrativos que visa fortalecer a conservação ambiental por meio do uso de ‌imagens de satélite.

Amos disse que, neste caso, a ‌embarcação "continuaria a se desintegrar sob o ataque constante do vento e das ondas e a perder toda a carga, o que poderia resultar em um derramamento de mais de 40 a 50 milhões de galões".

Amos disse que isso rivalizaria com o derramamento de petróleo do Exxon Valdez, em 1989, em termos de magnitude.

O navio é semelhante em tamanho e capacidade ao Sanchi, um navio iraniano que colidiu com ⁠um cargueiro na costa da China em 2018, no pior desastre envolvendo um petroleiro do mundo nas últimas décadas.

MANCHA QUE SE ESPALHA RAPIDAMENTE

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O derramamento, detectado pela primeira vez por analistas no início de julho, começou a atingir o continente de Omã, informou a Organização Marítima Internacional (IMO) da ONU.

"O petróleo está se deslocando mar adentro a nordeste da Ilha Al-Qibliyyah (de Omã), com relatos de que parte do óleo está chegando ao continente. O plano de contingência para derramamento de óleo já está em vigor", disse um porta-voz ‌da IMO à Reuters.

A IMO informou que as condições sazonais da monção limitaram o acesso ao petroleiro e atrasaram as operações de resgate.

Imagens de satélite mostram que o navio encalhou na Ilha Al-Qibliyyah, parte de uma reserva natural que inclui as Ilhas Hallaniyat, colocando em risco a vida ⁠selvagem, incluindo tartarugas ameaçadas de extinção, baleias jubarte e recifes de corais.

Omã informou na segunda-feira que a mancha de óleo cobre quase 400 quilômetros quadrados. O país não respondeu aos pedidos da Reuters por mais detalhes ou comentários sobre os esforços de contenção, mas afirmou ter utilizado barreiras flutuantes para tentar conter a propagação.

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Agências ambientais e especialistas em derramamentos de petróleo estimam que a mancha seja várias vezes maior do que isso e afirmam que a propagação se acelerou drasticamente desde o início de agosto.

O Greenpeace informou na terça-feira que a propagação está se acelerando.

"A área afetada passou de cerca de 45 km² no final de julho para 150 no início de agosto. E então, em dois dias, quadruplicou para 600 por volta do dia 4 ou 5 de agosto", disse Hanen Keskes, coordenadora de campanhas políticas do Greenpeace no Oriente Médio.

A estimativa de Amos, de 2.000 km², significa que a área se expandiu mais de 40 vezes desde o início de agosto.

Ele afirmou que as medidas necessárias, além do uso de barreiras flutuantes, incluem estabilizar a embarcação e transferir todo o petróleo que ainda restasse a bordo para outro petroleiro.

"Quanto mais esperarmos, mais danificado e deteriorado esse petroleiro ficará, e mais complicada, difícil e potencialmente perigosa será a operação de resgate", disse ele.

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