O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 25% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, o lucro recorrente foi de R$ 17,1 bilhões.
De acordo com o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do banco, Alexandre Abreu, o lucro anualizado é novamente um recorde histórico. "O BNDES vem consistentemente melhorando os resultados recorrentes", disse o executivo, durante entrevista para comentar os resultados.
No primeiro semestre de 2026, os ativos totais do banco atingiram R$ 1,058 trilhão, maior valor nominal da história, crescendo 10% desde dezembro de 2025, enquanto a carteira de crédito alcançou R$ 684 bilhões, alta de 14% no comparativo anual a e maior patamar desde 2016.
Em aprovações, o crédito do banco chegou a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) ao final do segundo semestre, que era a meta do banco, disse o diretor de planejamento e relações institucionais, Nelson Barbosa. Em desembolsos, a participação no PIB chegou a 1,4%. "O nível de 2% do PIB é velocidade de cruzeiro", disse o presidente do banco, Aloizio Mercadante.
Mercadante disse também, durante a entrevista, que um "BNDES grande demais" prejudica o mercado de capitais. "Queremos um mercado de capitais forte. É muito importante trabalharmos juntos para as empresas fazerem IPO (abertura de capital)", disse.
Compromisso com o arcabouço
O presidente do banco disse também que a instituição tem peso importante no fiscal brasileiro e responde por 36% dos aportes no Tesouro. Em 3 anos, segundo ele, foram R$ 62,251 bilhões em dividendos do BNDES repassados ao Tesouro. "Damos contribuição gigantesca para o arcabouço fiscal", disse. "Temos profundo compromisso com o arcabouço fiscal."
Incentivos e subsídios são indispensáveis, afirmou Mercadante, ressaltando que a China tem oito vezes mais desses mecanismos que a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Só que os subsídios precisam ir na direção certa", disse ele, citando segmentos como energia limpa e renovável. "Se o Estado não incentivar esses setores, não tem transição energética."
"Só negacionistas não enxergam a gravidade da crise climática", afirmou Mercadante, ressaltando que os países e governos vão precisar de instrumentos e mecanismos para lidar com as mudanças no clima. "Precisamos de parcerias e instrumentos para enfrentar crises climáticas."