Abrir uma franquia pode ser uma das portas de entrada mais populares para quem quer empreender no Brasil, mas o modelo, apesar de estruturado, está longe de ser livre de riscos. Em 2026, o cenário combina oportunidades em setores em alta com a necessidade de decisões cada vez mais estratégicas e bem informadas.
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Segundo o Sebrae, o principal desafio do empreendedor não é apenas escolher uma marca conhecida, mas transformar informação em decisão segura. “Mais do que incentivar a abertura de negócios, a gente trabalha para reduzir a distância entre o sonho de empreender e a realidade do mercado”, afirma Karen Sitta, que atua na unidade de acesso ao mercado da instituição.
A expansão das franquias é impulsionada pelo comportamento do consumidor. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), três grandes áreas concentram o crescimento neste ano:
- Alimentação e conveniência: Modelos compactos e práticos ganham força, como cafeterias, delivery especializado e mercados autônomos em condomínios.
- Saúde, estética e bem-estar: Clínicas de estética, serviços “express” e negócios voltados à longevidade refletem a busca por qualidade de vida.
- Serviços do dia a dia: Lavanderias, limpeza residencial, reparos e pet care acompanham a demanda por praticidade.
O advogado Ralph Fontes acrescenta outros nichos em evidência. “Educação e estética estão entre os setores mais aquecidos. São mercados com demanda crescente e boas margens, especialmente com as mudanças recentes no comportamento de consumo".
Apesar da estrutura já testada, especialistas são categóricos ao dizerem que comprar uma franquia não significa comprar um resultado garantido. “Muita gente acha que basta investir em uma marca forte, mas o sucesso depende da operação no dia a dia”, alerta Fontes. “O maior erro não é escolher uma franquia ruim, é entrar em uma boa sem entender como ela funciona”, orienta.
Karen Sitta reforça que a marca não é a única garantia de lucro. “A marca sozinha não garante sucesso. É preciso avaliar se o modelo faz sentido para o perfil do empreendedor”.
Como identificar armadilhas
Antes de investir, alguns pontos devem acender um sinal vermelho:
- Promessas de lucro rápido, retorno garantido ou risco zero
- Falta de transparência nas informações ou resistência em responder perguntas
- Crescimento acelerado demais e expansão sem estrutura de suporte
- Treinamento fraco ou inexistente
- Suporte limitado ao franqueado
Outro ponto crítico é a análise da Circular de Oferta de Franquia (COF), documento obrigatório previsto na Lei de Franquias (Lei nº 13.966/2019). “A COF não é burocracia, é proteção do investidor”, destaca Fontes. “Ela pode ter mais de 100 páginas e traz todas as regras, custos, riscos e obrigações”.
As cláusulas contratuais também deve ser observadas com atenção. O advogado diz que é preciso observer se há cláusula de não concorrência e exclusividade territorial, fatores que podem impedir o empreendedor de atuar no mesmo setor durante e após o contrato, ou até definir se haverá concorrência dentro da própria rede de franqueadas.
“Um erro comum é escolher mal o ponto comercial ou investir acima do necessário. Isso pode comprometer o retorno”, aconselha.
Como abrir uma franquia com mais segurança?
Com base nas orientações dos especialistas, veja um passo a passo para seguir antes de investir em uma franquia:
1. Estude o mercado
Analise demanda, concorrência e comportamento do consumidor na região.
2. Leia a COF com atenção
Entenda taxas, obrigações, suporte oferecido e histórico da rede.
3. Converse com franqueados atuais
Pergunte sobre faturamento, suporte e desafios reais da operação.
4. Fale com ex-franqueados
Descubra por que saíram e quais problemas enfrentaram.
5. Busque ajuda especializada
Conte com contador, advogado e apoio de instituições como o Sebrae.
6. Avalie seu perfil
Faça essas perguntas a si mesmo antes de investir: Você tem afinidade com o setor? Sabe liderar equipe? Está disposto a seguir padrões? Possui reserva financeira?