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Taxas dos DIs sobem com noticiário eleitoral e leilão robusto de títulos do Tesouro

2 jul 2026 - 16h51

As especulações em torno da ‌corrida eleitoral no Brasil e um leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro deram suporte às taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que encerraram a quinta-feira com altas, apesar da pressão de baixa gerada mais cedo pela divulgação de dados de emprego nos EUA.

Com investidores também adotando posições mais cautelosas antes do feriado de sexta-feira nos EUA, no fim da tarde a taxa do ⁠DI para janeiro de 2028 estava em 14,235%, com elevação de 11 pontos-base ante o ajuste ‌de 14,123% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,48%, com alta de 12 pontos-base ante o ‌ajuste de 14,36%.

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Pela manhã, o relatório "payroll" do Departamento do Trabalho ‌dos EUA revelou que a economia do país gerou 57 mil postos de ⁠trabalho em junho, abaixo dos 110 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. A taxa de desemprego no país ficou em 4,2% em junho, ante 4,3% projetados.

Números separados mostraram ainda que os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA somaram 215 mil na semana passada, menos que os 220 mil esperados.

Os dados do payroll, mais fracos que o esperado, reduziram a perspectiva de alta ‌de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, fazendo os rendimentos dos Treasuries despencarem. A curva ‌de DIs no Brasil acompanhou ⁠a queda em um ⁠primeiro momento.

Entre o fim da manhã e o início da tarde, no entanto, as taxas dos DIs se ⁠fortaleceram e passaram a exibir altas firmes, sob ‌influência de fatores internos.

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Profissionais ouvidos pela ‌Reuters citaram o noticiário político como um dos motivos para a piora dos mercados no Brasil. Nos últimos dias, o noticiário revelou o fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto, além dos atritos ⁠entre o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Desde quarta-feira os agentes também esperavam a publicação de nova reportagem do site Intercept Brasil envolvendo a família Bolsonaro e o financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a manhã desta quinta-feira, conforme um operador, essa expectativa deu força às taxas futuras.

Às ‌12h o Intercept publicou a reportagem, que girou em torno de um fundo nos EUA que recebeu dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro -- no centro de um escândalo financeiro ⁠e apontado como um dos supostos financiadores do filme sobre Jair Bolsonaro.

De modo geral, notícias desfavoráveis à família Bolsonaro vêm sendo interpretadas como negativas para a candidatura de Flávio à Presidência, elevando as chances de reeleição de Lula -- algo mal-visto por boa parte do mercado.

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Ainda que a reportagem do Intercept não tenha tido o impacto que muitos operadores esperavam, a curva brasileira se manteve em alta durante a tarde.

O leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional -- Série F (NTN-F), realizado pela manhã, também deu suporte à curva. O Tesouro vendeu 20 milhões de LTN e 3,65 milhões de NTN-F -- volumes bem superiores aos vistos três semanas antes, de 150 mil LTN e 450 mil NTN-F.

Em função do feriado do Dia da Independência dos EUA, que manterá o mercado de Treasuries fechado na sexta-feira, muitos agentes também seguraram posições compradas em taxa no mercado de DIs.

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