As taxas dos DIs mantiveram a trajetória de queda nesta terça-feira, impulsionadas pelo recuo dos Treasuries no exterior e pela reação positiva do mercado à liderança de Flávio Bolsonaro no 1º turno presidencial. Visto como mais inclinado ao ajuste fiscal que Lula, o senador motivou o alívio na ponta longa da curva de juros. Contudo, analistas ponderam que a sustentabilidade desse movimento e a redução dos prêmios de risco dependem da efetiva implementação de medidas fiscais concretas.
As taxas dos DIs voltaram a ceder nesta terça-feira, dando continuidade ao movimento da véspera após o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da disputa presidencial.
O movimento, ainda que menos intenso, também foi influenciado pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,61%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,663% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,725%, com recuo de 7 pontos-base ante 12,791%.
Na segunda-feira as taxas dos DIs despencaram mais de 130 pontos-base nos vencimentos mais longos, em meio à euforia dos investidores com o resultado do primeiro turno.
Isso porque Flávio é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas -- ainda que seus planos para a área não sejam claros --, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado. No limite, o equilíbrio das contas públicas pode favorecer a queda de juros, o que se refletiu na forte redução de prêmios na véspera.
Nesta terça-feira as taxas dos DIs voltaram a ceder, em especial entre os vencimentos longos -- mais sensíveis à questão fiscal e à movimentação dos investidores estrangeiros.
"É uma continuidade do movimento de ontem. Essa reação de hoje sugere que o mercado está confiante de que Flávio deve vencer a eleição", avaliou o estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno. "A reação do mercado mostrou que se a agenda fiscal for implementada, ela vai trazer ganhos para o país, porque melhora a perspectiva de inflação, o dólar cai."
Desde domingo, no entanto, profissionais do mercado vêm condicionando os ganhos vistos após o primeiro turno -- traduzidos na redução de prêmios na curva, na queda do dólar e na disparada do Ibovespa -- à implementação, de fato, de um ajuste fiscal.
"Na segunda-feira, 5 de outubro, o mercado de juros fez em algumas horas o que o debate fiscal não conseguiu fazer em meses. Os contratos de juros futuros com vencimento nos próximos quatro anos recuaram cerca de 1 ponto percentual, ou 100 pontos-base, no primeiro pregão após o primeiro turno", citou Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Segundo ele, a transformação das intenções em medidas concretas de ajuste fiscal será um dos fatores para que os benefícios - como a redução de juros - realmente se materializem.
"Com a dívida bruta acima de 80% do PIB, credibilidade fiscal deixou de ser tema de economista e virou a variável que mais pesa no custo do dinheiro para o governo, para as empresas e para cada brasileiro que precisa de crédito", afirmou.
Além das eleições, o recuo dos rendimentos dos Treasuries, após o forte avanço da véspera, também justificou a queda das taxas no Brasil. Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 4 pontos-base, a 5,273%.