Taxas curtas reduzem perdas e longas passam a subir após abertura negativa de Wall Street

29 jan 2026 - 10h54
(atualizado às 13h47)

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo reduziram as perdas no fim da manhã desta quinta-feira e as longas viraram para o positivo após a abertura negativa da bolsa de Nova York, que pressionou os mercados ao redor do mundo.

O movimento ocorreu ainda que, no Brasil, siga permeando ‌os negócios a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou o início do ciclo de ‌cortes em março.

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Às 12h57, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,745%, em queda de 4 pontos-base ante o ajuste de 12,787% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,385%, com alta de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,338%.

Mais cedo, as taxas curtas exibiram perdas maiores e as longas cederam, com os investidores ajustando posições após o anúncio do Copom.

Mas a abertura negativa de Wall Street alterou o cenário no fim ‍da manhã, conforme profissionais ouvidos pela Reuters, em meio à queda de mais de 10% das ações da Microsoft após a divulgação de resultados da companhia.

Assim, o Ibovespa passou a ceder mais de 1%, o dólar virou para o positivo ante o real e as taxas dos DIs ganharam força -- ainda que as curtas sigam em baixa leve neste início de tarde.

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Na noite de quarta-feira o Copom anunciou a manutenção ‌da taxa básica Selic em 15% ao ano, como era largamente esperado, mas deixou claro que poderá iniciar ‌o ciclo de cortes em março.

"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros", disse o BC em comunicado. "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta."

Em reação à perspectiva de corte da Selic em março, as taxas dos DIs cederam mais cedo, em especial nos vencimentos entre janeiro de 2028 e janeiro de 2030, com os investidores ajustando posições para o próximo encontro do Copom.

A curva precificava pela manhã 82% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, contra 18% de chance de redução de apenas 25 pontos-base. Na véspera, antes do Copom, a precificação girava em torno de 60% e 40%, respectivamente, com os investidores já enxergando chances maiores de um corte de 50 pontos-base em função da queda firme do dólar, para perto de R$5,20. A indicação de corte em março dada na noite de quarta-feira pelo Copom aumentou as apostas em 50 pontos-base.

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"Mesmo com a linguagem conservadora (do comunicado do Copom), o mercado acha que é mais provável 50 que 25 (de corte)", comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.

Os agentes também acompanharam pela manhã entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal Metrópoles, na qual ele reiterou a intenção de deixar o governo, pontuando que fará isso em fevereiro.

Haddad comemorou a indicação do BC de que começará a cortar juros em março. Segundo ele, isso permitirá levar a dívida pública para um "patamar melhor", já que boa parte dela é indexada à Selic.

No ‌exterior, às 12h57 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,241%.

Na tarde de quarta-feira, o Fed havia anunciado a manutenção de sua taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, como era esperado, mas o chair da instituição, Jerome Powell, manteve durante entrevista um tom "hawkish" ao tratar da política monetária.

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Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI às 12h57 desta quinta-feira:

Mês Ticker Taxa Ajuste Variação

(% anterior (p.p.)

a.a.) (% a.a.)

JAN/27 13,495 13,526 -0,031

JAN/28 12,745 12,787 -0,042

JAN/29 12,765 12,792 -0,027

JAN/30 12,96 12,964 -0,004

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JAN/31 13,125 13,102 0,023

JAN/35 13,385 13,338 0,047

(Edição de Igor Sodré e Alexandre Caverni)

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