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Tarifas eram esperadas, e exceções devem limitar impacto, dizem analistas; Weg deve ser penalizada

Avaliação é que alguns segmentos podem ter reação neutra ou positiva, com destaque para Embraer, Petrobras, Suzano, Klabin e frigoríficos; setores industriais com foco na exportação devem ser os mais prejudicados

16 jul 2026 - 09h34

O impacto das tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ser limitado nas ações ao longo do pregão desta quinta-feira, 16, dizem analistas do mercado ouvidos pelo Estadão/Broadcast. Isso se deve às isenções, que preservaram itens-chave da pauta exportadora, além de a medida já ser esperada pelos investidores.

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A leitura predominante é a de que, como a decisão já era aguardada e houve exceções, alguns segmentos podem ter uma reação neutra ou positiva, com destaque para empresas como a Embraer, a Petrobras, a Suzano, a Klabin e os frigoríficos. Já os setores industriais com foco em exportação devem ser os mais prejudicados, com destaque para a Weg e a Randon.

Impacto negativo pode recair sobre empresas como a Weg, mas reação pode mudar com mais detalhes sobre as isenções, segundo analistas
Impacto negativo pode recair sobre empresas como a Weg, mas reação pode mudar com mais detalhes sobre as isenções, segundo analistas
Foto: Divulgação/Weg / Estadão

A principal dúvida segue no tamanho do risco político que a medida pode trazer para a bolsa. Alguns avaliam que o tema tende a ficar no ruído diplomático, enquanto outros alertam que uma resposta do Brasil, a depender de qual for, pode elevar a incerteza, pressionar câmbio e juros e afetar o humor do Ibovespa.

O sócio da Fatorial Investimentos Fábio Lemos considera que o índice deve sentir pouco o choque direto devido às exceções. Lemos diz ver uma leitura "positiva ou neutra" para Embraer, Petrobras, empresas de celulose e frigoríficos, e aponta que o efeito negativo tende a se concentrar em exportadores de máquinas, calçados e vestuário, como Weg, Marcopolo, Randon, Vulcabras, Grendene e Azzas. "O maior risco não é econômico, mas político: uma eventual retaliação brasileira pode ampliar a incerteza, pressionar o câmbio e impedir a queda dos juros futuros", pondera.

O especialista em ações da Axia Investing, Felipe Sant'Anna, vai na mesma linha e vê as isenções contendo o dano potencial. O analista da AGF, Pedro Galdi, também aponta que o principal efeito vem do ambiente político, o que poderia inibir a recuperação do Ibovespa.

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O estrategista independente Gustavo Cruz avalia que o pregão pode ser negativo, mas sem queda intensa, porque o tema já tinha sido antecipado pelo mercado. Ele também cita possíveis pressões em empresas industriais. "O impacto negativo do que é listado pode ser na Weg, Tupy, Randon, mas a reação pode mudar com mais detalhes sobre as isenções", pondera.

Na mesma linha, o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, também defende que o fato já estava precificado. Ele afirma que os ativos mais relevantes da Bolsa não devem sofrer grandes mudanças, citando a Weg como uma das principais afetadas. Para ele, diante da posição dos EUA aparentemente mais branda, não há risco ao Pix, mesmo que a ferramenta tenha sido citada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) como concorrência desleal. A leitura seria positiva para os bancos.

Já o head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, destaca que a própria comunicação americana reforça o peso da negociação, ao mencionar que as tarifas podem ser elevadas ou reduzidas conforme a reciprocidade. Na visão dele, o choque tende a se amenizar ao longo do dia, com chance de resposta positiva de setores ligados a proteínas, que ficaram isentos.

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