O governo de Donald Trump confirmou na quarta-feira, 15, a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida, oficializada por Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), entra em vigor na próxima quarta-feira, 22. Entenda a medida e relembre a cronologia do tarifaço.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Por que os EUA taxam o Brasil?
A tarifa adicional de 25% foi proposta no último dia 1º de junho, após o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluir uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, ordenada pelo presidente Donald Trump.
No relatório, a medida afirma se basear na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, que pode ser usada para "responder a práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias de governos estrangeiros que oneram ou restringem o comércio dos EUA".
O USTR acusou o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico --como o Pix--, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.
Um mês depois, o governo brasileiro enviou uma resposta ao USTR. No documento, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, defendeu que o Pix está "longe de excluir empresas estrangeiras".
Linha do tempo da crise (2025 - 2026)
- 02 de Abril de 2025: Imposição de tarifa de 10% de todas as importações feitas no Brasil. Leia mais: Trump anuncia tarifa de 10% sobre produtos importados do Brasil;
- Julho de 2025: Trump anuncia tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros a partir de agosto. Somada com os 10%, a taxação subiria para 50%. Leia mais: Trump anuncia tarifa de 50% sobre Brasil;
- Agosto de 2025: Entrou em vigor o tarifaço de 50%, com exceções. Brasil recorre à Organização Mundial do Comércio (OMC);
- Setembro de 2025: Lula e Trump se encontram na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e trocam elogios públicos;
- Novembro de 2025: Trump retira tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros como carne, café e frutas;
- Fevereiro de 2026: A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas globais de longo alcance do presidente Donald Trump.
- Março de 2026: Representante Comercial dos EUA abriu investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio contra vários países, incluindo o Brasil.
- Junho de 2026: O USTR concluiu a investigação e propôs taxar o Brasil em 25%, com algumas exceções;
- 15 de Julho de 2026: EUA confirmam a taxa de 25%. O governo brasileiro repudia a decisão e anuncia que acionará a OMC e a Lei de Reciprocidade.
- 22 de Julho de 2026: Entrada em vigor das novas tarifas.
Isenções e penalizações
Na prática, setores brasileiros podem ter de lidar com tarifas totais de 37,5%. Isso porque ainda deve se sobrepor à taxa de 25% uma tarifa de 12,5%, anunciada pelos EUA em um outro relatório referente a uma investigação sobre o trabalho forçado em 60 países.
Neste segundo caso, a recomendação é a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos originários desses mercados, prevendo dois níveis de taxação: 10% e 12,5%. O Brasil está incluído no grupo de 46 economias sujeitas à alíquota mais elevada; outras 14 devem ser taxadas em 10%.
No anúncio de 1º de junho, o USTR divulgou simultaneamente uma lista de produtos que devem ser excluídos da taxa de 25%. São eles:
- Aeronaves e partes aeronáuticas;
- Suco de laranja;
- Alimentos;
- Celulose;
- Determinados minerais;
- Fertilizantes;
- Minerais críticos e estratégicos;
- Insumos industriais relevantes para cadeias produtivas norte-americanas.
Com a confirmação da taxação, ainda são aguardados detalhes sobre a forma como a medida será implementada.
Reação diplomática e bastidores políticos
Logo após os EUA oficializarem o novo tarifaço de 25%, o governo brasileiro soltou uma nota oficial criticando a decisão, que classificou como um "marco lastimável" na história das relações entre Brasil e EUA.
"Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso País. O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais", diz o comunicado.
A publicação oficial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) culpou a família Bolsonaro pela nova medida adotada pelo presidente Donald Trump. A nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), diz que o Executivo "iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade" e "retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)".
Antes da confirmação da medida, ministros do governo do presidente Lula contestaram as acusações apresentadas pelos Estados Unidos para justificar a tarifa. O tema também passou a ser explorado pela oposição às vésperas do início da disputa eleitoral.