Para evitar o endividamento no início de um negócio, empreendedores devem adotar uma gestão financeira rigorosa desde o princípio. As principais recomendações incluem separar as contas pessoais das empresariais, diferenciar faturamento de lucro, precificar com base nos custos reais e não apenas na concorrência, além de criar uma reserva para emergências. Também é fundamental evitar o uso impensado de crédito e planejar a remuneração pessoal conforme a capacidade financeira da empresa.
Especialista explica como organização pode ajudar mulheres que estão começando a empreender a construir um negócio financeiramente saudável
Abrir o próprio negócio pode representar independência financeira, realização profissional e a oportunidade de transformar uma habilidade em fonte de renda. Mas, entre a empolgação das primeiras vendas e a vontade de fazer a empresa crescer, algumas decisões financeiras tomadas no início podem comprometer o futuro do empreendimento.
Um dos principais erros de quem começa a empreender é olhar apenas para o dinheiro que entra. Faturar não significa necessariamente lucrar. Antes de considerar que determinado valor está disponível para uso pessoal, é preciso descontar custos com produtos, fornecedores, impostos, taxas, divulgação e outras despesas necessárias para manter a atividade.
Segundo o contador Luidg Quitete, da Sapiência Contábil, criar uma organização financeira desde os primeiros passos pode evitar que o sonho de ter o próprio negócio termine em endividamento.
"No início, é muito comum a empreendedora receber pelas primeiras vendas e enxergar aquele dinheiro como uma renda imediatamente disponível. Só que uma parte desse valor pertence ao próprio negócio. Quando não existe essa separação, ela pode retirar mais do que a empresa consegue suportar e, depois, recorrer ao próprio dinheiro ou até ao crédito para pagar fornecedores e outras despesas", explica.
Para quem está começando, o especialista aponta sete cuidados financeiros essenciais:
1. Separe o dinheiro pessoal do dinheiro da empresa
Mesmo em um negócio pequeno, é importante estabelecer uma divisão clara. Usar o mesmo dinheiro para pagar supermercado, fornecedores, contas da casa e despesas da empresa dificulta saber se o empreendimento realmente está dando retorno.
"Não é preciso esperar a empresa crescer para começar a se organizar. Quanto antes houver essa separação, mais fácil será entender quanto o negócio gera, quanto custa mantê-lo e quanto pode ser retirado", orienta Luidg.
2. Não confunda faturamento com lucro
Vender R$ 5 mil em um mês não significa ter lucrado R$ 5 mil. O faturamento representa o total das vendas, enquanto o lucro é aquilo que permanece depois que os custos e despesas do negócio são descontados.
Essa diferença precisa estar clara principalmente antes de utilizar o dinheiro das vendas para despesas pessoais.
3. Descubra quanto realmente custa o que você vende
Material, embalagem e matéria-prima são apenas alguns dos elementos que podem entrar na conta. Taxas de cartão, transporte, energia, divulgação e outros gastos também precisam ser considerados.
Ignorar essas despesas pode levar a uma situação comum: vender bastante, trabalhar muito e, no final do mês, perceber que praticamente não houve retorno financeiro.
4. Não defina o preço olhando apenas para a concorrência
Cobrar o mesmo que outras empresas sem conhecer os próprios custos pode ser perigoso. Cada negócio possui despesas e margens diferentes.
"O preço precisa fazer sentido para o mercado, mas também precisa sustentar a empresa. Quando a empreendedora cobra abaixo do necessário apenas para conquistar clientes, pode aumentar as vendas e, ao mesmo tempo, aumentar o próprio prejuízo", alerta o contador.
5. Crie uma reserva para o negócio
Assim como nas finanças pessoais, imprevistos também acontecem nas empresas. Um equipamento pode quebrar, as vendas podem cair ou surgir uma despesa inesperada.
Por isso, quando possível, parte dos resultados deve permanecer no negócio para formar uma reserva. Isso reduz a necessidade de recorrer a empréstimos ou ao cartão de crédito diante de qualquer dificuldade.
6. Cuidado ao usar crédito para acelerar o crescimento
Empréstimos e cartões podem ser ferramentas úteis quando utilizados com planejamento, mas não devem servir para cobrir constantemente um caixa desorganizado.
Antes de assumir uma dívida, é importante avaliar o valor das parcelas, os juros envolvidos e, principalmente, se o negócio terá capacidade de gerar dinheiro suficiente para pagar o compromisso.
7. Planeje antes de retirar dinheiro para você
A empreendedora também precisa ser remunerada, mas a retirada deve ser compatível com a realidade financeira do negócio. Estabelecer um valor periódico ajuda a evitar retiradas aleatórias sempre que há dinheiro disponível em caixa.
Para Luidg, o maior cuidado para quem está começando é não esperar aparecer um problema para organizar as contas.
"Muita gente acredita que controle financeiro e acompanhamento contábil só fazem sentido quando a empresa já está grande. É justamente no começo que bons hábitos podem fazer mais diferença.
O objetivo não é apenas vender, mas construir um negócio capaz de pagar suas despesas, remunerar a empreendedora e continuar crescendo sem depender constantemente de dívidas", finaliza.