O PIB brasileiro avançou 0,5% no 2º trimestre de 2026, somando R$ 3,4 trilhões e superando as projeções de 0,4%, embora indique desaceleração econômica. O setor agropecuário liderou a alta com expansão de 2,8%, enquanto a indústria e os serviços desaceleraram para 0,1% e 0,2%, respectivamente. Pela ótica da demanda, os investimentos cresceram 1,2% e os gastos públicos subiram 0,4%, mas o consumo das famílias recuou 0,4%, pressionado por juros altos, inflação e endividamento.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (1º) o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro referente ao segundo trimestre de 2026. Na comparação com os três meses anteriores, a economia avançou 0,5%, número acima da projeção de analistas ouvidos pela Reuters, que esperavam alta de 0,4% no período.
Frente ao segundo trimestre de 2025, o crescimento foi de 2%. Já no acumulado dos últimos quatro trimestres, o avanço chegou a 1,9%. Em valores correntes, o PIB do Brasil somou R$ 3,4 trilhões entre abril e junho.
O ritmo de expansão perdeu força em relação ao primeiro trimestre do ano, quando a atividade havia crescido 1,1%, sem revisão posterior do dado pelo IBGE. O resultado do 2T26 é o mais fraco desde o fim de 2025.
Como se comportaram os setores da economia no PIB do 2T26
Do lado da produção, a Agropecuária voltou a puxar o crescimento, com alta de 2,8% no trimestre, ritmo superior aos 2,3% registrados entre janeiro e março. É o melhor desempenho do setor desde o primeiro trimestre de 2025.
Os Serviços, responsáveis por cerca de 70% do PIB brasileiro, cresceram apenas 0,2%, desacelerando ante os 0,4% do trimestre anterior. Dentro do setor, os avanços vieram de Informação e comunicação (2,1%), Transporte, armazenagem e correio (1,1%) e Atividades imobiliárias (0,2%). Comércio e Outras atividades de serviços não apresentaram variação.
Já a Indústria cresceu 0,1%, bem abaixo do 1,2% do trimestre anterior. As Indústrias extrativas tiveram novo resultado positivo, de 3,4%, mas o desempenho foi puxado para baixo por quedas em Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos (-1,1%), nas Indústrias de transformação (-0,4%) e na Construção (-0,4%).
Dois segmentos ligados ao setor público e financeiro também recuaram no período: Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social caiu 0,4%, enquanto Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados teve retração de 0,3%.
Consumo das famílias recua e investimento desacelera
Pela ótica da demanda, o destaque negativo ficou por conta do Consumo das Famílias, que caiu 0,4% no trimestre, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas. No primeiro trimestre, esse indicador havia crescido 0,8%.
O Consumo do Governo, por sua vez, subiu 0,4%, repetindo o ritmo já observado nos três primeiros meses do ano. A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede o investimento no país, cresceu 1,2%, avanço menor que os 3,4% do trimestre anterior.
No comércio exterior, as Exportações de Bens e Serviços recuaram 0,8% em relação ao primeiro trimestre, enquanto as Importações de Bens e Serviços subiram 1,8% no mesmo intervalo.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, número veio dentro do esperado pela casa, mas já mostra sinais claros de perda de fôlego da economia. "Apesar do resultado positivo, os dados reforçam os sinais mais evidentes de desaceleração da atividade após um primeiro trimestre de crescimento bastante forte", afirma.
Segundo o economista, o crescimento do trimestre foi sustentado principalmente pelo setor público e pelos investimentos. Sobre a queda no consumo das famílias, o economista atribui o resultado a uma combinação de fatores.
"O resultado foi influenciado pelo elevado endividamento das famílias, pelo custo mais elevado do crédito e pelo menor ritmo de crescimento dos salários, além das pressões inflacionárias decorrentes da alta dos preços de combustíveis e alimentos, que reduziram o poder de compra e limitaram a expansão do consumo", diz ele.
Para os próximos trimestres, Perez espera que os efeitos dos estímulos recentes sobre renda e consumo no PIB brasileiro percam intensidade de forma gradual. Segundo ele, a incerteza eleitoral e o endividamento elevado de famílias e empresas devem seguir pesando sobre as decisões de consumo e investimento.