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Shein obtém a aprovação da China para IPO em Hong Kong 

10 jul 2026 - 09h48

A China aprovou nesta sexta-feira a tão aguardada oferta inicial de ‌ações (IPO, na sigla em inglês) da varejista de moda Shein em Hong Kong, conforme um aviso publicado no site do órgão que regula o mercado de capitais na China (CSRC), abrindo caminho para uma listagem após tentativas frustradas em Nova York e Londres.

A Shein seria a varejista de maior destaque a abrir capital em anos, em um momento em que muitas marcas de consumo adiaram seus IPOs devido à baixa confiança e aos gastos reduzidos entre os consumidores de baixa e média rendas.

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Um porta-voz da Shein recusou-se a comentar.

A varejista online esperou um ano pela aprovação de Pequim para seu IPO, ⁠que precisava ser liberado pelos mais altos escalões do Partido Comunista Chinês, de acordo com uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Pequim considera a Shein uma ‌empresa politicamente sensível e teme que ela cause ainda mais constrangimento após o escândalo das bonecas sexuais na França e as denúncias de más práticas trabalhistas em suas fábricas fornecedoras na China, disse a fonte.

A Shein protocolou seu pedido de IPO em Hong Kong de forma confidencial, e os documentos ‌ainda não haviam sido divulgados ao público até sexta-feira. Mas agora que obteve a aprovação, a ‌Shein pode começar a organizar apresentações para investidores e se preparar para a audiência com a bolsa de valores de Hong Kong, que ⁠todos os candidatos a IPO precisam passar antes que as ações sejam listadas.

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Entre os investidores da Shein estão as empresas de private equity General Atlantic, HongShan Capital (anteriormente conhecida como Sequoia Capital China), Mubadala Investment, Brookfield e Claure Group.

VALOR CAIU ACENTUADAMENTE DESDE 2022

Em 2022, a Shein foi avaliada em até US$100 bilhões, mas seus investidores ajustaram suas estimativas posteriormente, à medida que o boom do comércio eletrônico durante a pandemia perdeu força e a oposição de políticos, varejistas e órgãos reguladores se intensificou.

A última rodada de financiamento privado da Shein, em maio de 2023, avaliou a empresa em US$66 bilhões.

A fonte afirmou ‌que a Shein pode estar almejando uma avaliação de US$40 bilhões a US$50 bilhões em seu IPO.

Isso a tornaria muito menor do que a PDD Holdings, empresa ‌controladora de sua principal concorrente, a Temu , que ⁠possui um valor de mercado de US$117 ⁠bilhões, mas é o dobro do tamanho da varejista de moda H&M , que vale cerca de US$24 bilhões e perdeu participação de mercado para a Shein.

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TENTATIVAS EM NOVA ⁠YORK E LONDRES

A Shein, fundada pela empresária chinesa Sky Xu em 2012, espera ter sucesso ‌em Hong Kong após tentativas frustradas de abrir ‌capital em Nova York e, posteriormente, em Londres.

A empresa, que vende vestidos de US$5 e calças jeans de US$10 em cerca de 150 países, entrou com um pedido de IPO nos EUA em novembro de 2023, mas enfrentou crescente resistência de parlamentares e reguladores.

Após o impasse no processo de abertura de capital nos EUA, a Shein recorreu a Londres, onde o órgão regulador do Reino Unido aprovou um prospecto preliminar, ⁠mas a comissão chinesa que regula ativos mobiliários negou sua aprovação, bloqueando efetivamente a listagem na bolsa.

A longa luta da Shein para abrir seu capital ilustra como a geopolítica remodelou o caminho para as empresas chinesas que buscam capital internacional e como Pequim apertou o cerco sobre empreendedores de sucesso desde que interrompeu o IPO do Ant Group de Jack Ma no último minuto, em 2020.

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Novas regras aprovadas pelo regulador chinês em 2023 permitiram que ele analisasse listagens em outros países e IPOs que pudessem ameaçar os interesses nacionais do país. ‌Embora a Shein tenha transferido sua sede para Cingapura em 2022, ela permaneceu sujeita às regras chinesas de IPO, pois seus produtos são fabricados principalmente por uma rede de fornecedores terceirizados na China.

A abertura de capital da Shein seria uma grande vantagem para Hong Kong, que emergiu este ⁠ano como um dos principais locais para abertura de capital em todo o mundo.

Nos últimos 12 meses, o regulador chinês aprovou mais de 180 IPOs, conforme mostram as divulgações públicas, impulsionando um boom nos mercados de capitais de ações da cidade.

TRABALHO FORÇADO, CONCORRÊNCIA DESLEAL

Fundada em Nanjing, na China, a Shein ficou no meio do fogo cruzado, à medida que as relações entre os EUA e a China se deterioravam e o comércio se tornava cada vez mais politizado, com seus negócios sendo criticados em muitos países por vender produtos chineses a preços muito baixos e por praticar preços abaixo dos varejistas e fabricantes locais.

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A Shein foi criticada por concorrentes, órgãos reguladores e organizações não governamentais por problemas como seu aplicativo viciante, as péssimas condições de trabalho nas fábricas e as altas emissões provenientes do envio de roupas baratas de poliéster pelo mundo por via aérea.

Seu modelo de negócios — comprar roupas na China e enviá-las diretamente para a porta dos compradores — tem sido desafiado recentemente pelos esforços dos EUA e da Europa para fechar brechas alfandegárias e aplicar taxas a encomendas baratas.

A Shein também foi multada em mais de 200 milhões de euros no total por reguladores franceses devido ao uso indevido de dados de consumidores e descontos enganosos. A Comissão Europeia abriu uma investigação formal sobre a plataforma em fevereiro por conta da venda de produtos ilegais.

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