Shein é despejada de loja física em Paris após locatário se arrepender

18 jun 2026 - 10h21

Após protestos e escândalos, locatário diz que negócio foi "erro", anuncia venda do prédio e dá prazo para encerramento das atividades até o Natal. Gigante chinesa, porém, ainda deve abrir mais cinco lojas na França.Shein, a varejista online chinesa que se tornou ícone ultra fast fashion, vai fechar as portas de sua primeira e até então única loja física permanente.

Polícia circula em frente ao BHV Marais no dia da inauguração da loja da Shein
Polícia circula em frente ao BHV Marais no dia da inauguração da loja da Shein
Foto: DW / Deutsche Welle

Desde novembro, a gigante chinesa ocupa o sexto andar da loja de departamentos BHV Marais, um prédio localizado na turística região do Marais, em frente à prefeitura de Paris.

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Na terça-feira (16/06), a empresa operadora da BHV, a SGM, anunciou a venda do cobiçado ponto comercial para um grupo empresarial. A empresa anunciou que a Schein deverá "idealmente" deixar a loja até o Natal e classificou como um "erro estratégico" a decisão de permitir a presença da marca na BHV.

Sobre os planos de abrir mais cinco lojas na França, o diretor da SGM, Frédéric Merlin, afirmou que os compromissos contratuais com a Shein nas lojas fora de Paris serão "cumpridos" até a realização de uma revisão "de longo prazo".

Merlin disse ter cometido "erros" e acrescentou que a venda da BHV representa um "plano genuíno para uma retomada eficaz por pessoas sérias".

Protestos e investigações

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A notícia de que as operações da Shein iriam sair do comércio online e chegar às lojas físicas, num local de prestígio na capital mundial da moda, provocou várias reações de indignação devido ao modelo de negócios da marca, aos impactos ambientais e à venda online de produtos ilegais.

Milhares de comerciantes processaram a varejista chinesa por concorrência desleal. Cerca de 100 marcas deixaram a BHV Marais após a chegada da Shein, segundo a administração da loja.

Políticos e fashionistas se juntaram na missão de impedir inclusive a contínua expansão online da empresa, famosa pelos produtos falsificados de baixa qualidade.

Em dezembro, reguladores da União Europeia abriram uma investigação por suspeitas de que a varejista não fez o suficiente para limitar a venda de produtos como "bonecas sexuais com aparência infantil", armas e medicamentos de venda ilegal na UE.

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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou que as autoridades bloqueassem o acesso ao site da Shein por dois dias; durante esse período, agentes da alfândega retiveram as encomendas compradas por meio da plataforma para inspeção.

Após a repercussão negativa do caso, a Shein afirmou ter retirado imediatamente os produtos de seu marketplace — seção que vende itens de terceiros — e proibido globalmente a comercialização de bonecas sexuais em seu site.

Milhões de euros em multa

Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein é criticada ainda pelas condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores e pelos impactos ambientais de seu modelo de ultra fast fashion.

No início de junho, a França informou ter aplicado duas multas à Shein que somam mais de 22 milhões de euros (R$ 128,8 milhões), citando problemas relacionados à rastreabilidade de produtos, rotulagem ambiental e prazos de entrega.

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Com isso, o total de multas impostas pelo país à gigante asiática da moda ultrapassa 210 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão).

Sobre a intimação para fechar a loja, um porta-voz da Shein afirmou que a empresa respeita a decisão da BHV.

Ao mesmo tempo, manifestou pesar pelo fato de a "colaboração experimental" ter ocorrido em um contexto de "problemas importantes preexistentes" na unidade parisiense, em que "os clientes foram obrigados a lidar com obras de renovação em vários andares da loja".

sf/ra (AFP, RT)

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