"Sell America"? Dados mostram que Europa investiu pesado em Treasuries em 2025

22 jan 2026 - 10h37

A Europa representou 80% das compras estrangeiras de títulos do Tesouro dos EUA entre abril e novembro do ano passado, de acordo com dados de portfólio monitorados pelo Citi, sugerindo pouco interesse na região pela estratégia de venda de ativos norte-americanos -- ‌ou "Sell America" -- durante a turbulência do mercado no último ano.

Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou suas tarifas comerciais ‌do "Dia da Libertação", em abril, a Europa foi responsável por 240 bilhões de euros do aumento total de 301 bilhões de euros nas reservas estrangeiras de títulos do Tesouro dos EUA, escreveu o Citi, citando dados até novembro divulgados pelo Tesouro dos EUA na semana passada.

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Os números mostraram que as reservas estrangeiras de títulos do Tesouro dos EUA atingiram um recorde histórico ‍em novembro.

A ameaça de Trump no último fim de semana de aumentar as tarifas sobre vários países europeus, a menos que os Estados Unidos sejam autorizados a comprar a Groenlândia, levou analistas, incluindo o Deutsche Bank, a questionar se os investidores europeus poderiam se desfazer de ativos norte-americanos.

Preocupações semelhantes surgiram no ano passado em meio a ‌dúvidas sobre o status de porto seguro dos títulos do Tesouro e do dólar, ‌enquanto Trump entrava em conflito com aliados em temas como comércio e segurança, além de criticar publicamente o Federal Reserve.

Os dados dos EUA podem, no entanto, superestimar a participação de investidores europeus em títulos do Tesouro, visto que essa região abriga grandes centros financeiros que participantes do mercado de outras regiões utilizam para negociar ou manter ativos.

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FUNDOS NÓRDICOS VENDEM TÍTULOS

Esta semana, o fundo de pensão sueco Alecta anunciou que vendeu a maior parte de suas participações em títulos do Tesouro dos EUA no último ano. Já o fundo dinamarquês AkademikerPension afirmou que venderá suas participações até o final deste mês.

Na quarta-feira, os mercados financeiros se acalmaram depois que Trump descartou a possibilidade de tomar a Groenlândia à força e retirou suas ameaças de tarifas.

"O foco dos investidores pode permanecer na narrativa de 'vender os produtos americanos' em meio aos persistentes riscos gerados pelas notícias vindas dos EUA. Nesse debate, o contexto dos fluxos pós-'Dia da Libertação' pode ser útil", escreveram analistas do Citi, liderados pelo estrategista sênior de taxas de juros para a Europa, Aman Bansal, em uma nota aos clientes.

Um dos principais temas acompanhados pelos investidores no ano passado foi se as preocupações com a segurança dos ativos norte-americanos aumentariam o apelo da Europa para os investidores.

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Dados até novembro divulgados nesta semana pelo Banco Central Europeu (BCE) mostram um ‌aumento na taxa mensal de compra de títulos da dívida da zona do euro por investidores estrangeiros desde abril, observou o Citi.

"Em resumo, esses dados indicam um aumento do apetite global por renda fixa da zona do euro, mas também fortes fluxos contínuos para títulos do Tesouro dos EUA e sem sinais de vendas europeias desde o Dia da Libertação", acrescentaram.

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