Sadia Halal: empresa de fundo saudita quer elevar fatia a até 40% antes de abertura de capital

Com criação concluída no domingo, 3, a Sadia Halal nasce como plataforma global de produção e distribuição de proteínas halal, avaliada em US$ 2,07 bilhões

4 mai 2026 - 15h02

Um dia após a conclusão da criação da Sadia Halal, a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF), revelou ao Estadão/Broadcast a estratégia para ampliar sua participação na nova companhia, indicando que a fatia atual de 10% poderá chegar a 30% a 40% antes de uma eventual abertura de capital na bolsa de Riad, a Tadawul.

Com a sua criação concluída no domingo, 3, a Sadia Halal nasce como uma plataforma global de produção e distribuição de proteínas halal, avaliada em US$ 2,07 bilhões. A operação reúne ativos industriais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de operações de distribuição no Oriente Médio e Norte da África, com a MBRF detendo 90% do capital, por meio da BRF GmbH, subsidiária integral da BRF usada como veículo para investimentos internacionais, e a HPDC com os 10% restantes.

Publicidade

O CEO da HPDC, Fahad bin Suliman Alnuhait, afirmou que a companhia pretende "alcançar 20% até junho de 2027, ou antes, caso o IPO ocorra previamente", acrescentando que há expectativa de atingir esse nível já no início de 2027. "Antes do IPO, nossa intenção é aumentar nossa participação para entre 30% e 40%, buscando nos aproximar ao máximo do limite superior desse intervalo", disse.

O movimento da HPDC reforça o papel estratégico da companhia dentro da agenda de desenvolvimento da Arábia Saudita. "A Sadia Halal está sendo estabelecida com um papel estratégico claro: atuar como o braço de proteínas do Reino, funcionando como um hub multiproteína capaz de atender não apenas o mercado saudita, mas também a região como um todo", afirmou.

Além do direcionamento estratégico, Alnuhait indicou que a expectativa é de valorização relevante do ativo até a abertura de capital. "Estamos confiantes de que o valor da Sadia Halal será significativamente mais alto no momento da listagem, o que sustenta nossa estratégia de ampliar nossa participação ao longo desse período", disse. Segundo ele, a companhia deverá chegar ao mercado com "um modelo de negócios verdadeiramente diferenciado", o que pode resultar em avaliação "acima dos parâmetros típicos de mercado".

Do ponto de vista financeiro, a evolução da participação da HPDC terá impacto direto no caixa da MBRF e da própria Sadia Halal. O aumento de 10% para 20% será feito por meio de aquisição secundária, com ingresso estimado de US$ 170,5 milhões no caixa da MBRF.

Publicidade

Já a expansão de 20% para 30% (avaliada em cerca de US$ 230,6 milhões) e de 30% para até 40% (estimada em US$ 238,2 milhões) ocorrerá por meio de uma combinação entre operações secundárias e primárias, em proporções equivalentes, segundo os valores indicados pela companhia. Nesse formato, parte dos recursos segue para a MBRF, via venda de participação, enquanto a parcela primária é destinada diretamente ao caixa da Sadia Halal.

Para Alnuhait, a joint venture é um ativo estratégico de longo prazo. "A Sadia Halal é um investimento estratégico para a HPDC e para o Reino, e nossa intenção é permanecer como um parceiro relevante, apoiando sua trajetória de crescimento e geração de valor no longo prazo", disse.

TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se