Risco-país da Argentina cai abaixo de 500 pontos-base, para mínima de quase 8 anos

27 jan 2026 - 14h29
(atualizado às 15h21)

O risco-país da Argentina foi abaixo dos 500 pontos-base nesta terça-feira, atingindo uma mínima de quase oito anos, em um patamar no qual o governo poderia analisar o ‌retorno aos mercados internacionais de crédito.

A compra diária de dólares por parte do Banco ‌Central da República Argentina (BCRA), a alta na paridade dos títulos soberanos do país e a firmeza política do presidente libertário Javier Milei se conjugaram a favor dos mercados financeiros, afirmaram analistas.

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O referencial de risco estava em 499 pontos-base por volta das 14h ‍no horário de Brasília, ante os 510 pontos-base da véspera, rompendo uma firme resistência de 550 pontos registrada em jornadas anteriores, com uma tendência rumo aos 450 pontos-base -- patamar semelhante ao apresentado pelo Equador.

"Embora a taxa dos ‌títulos dos Estados Unidos de 10 anos seja maior do ‌que a vigente na última emissão internacional da Argentina (2018), o fato de o Equador ter ido recentemente ao mercado internacional para emitir leva o mercado a se perguntar quando poderá ser a vez da Argentina", comentou Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS.

"As taxas em que o Equador captou -- um crédito que vem sendo atingido por diversos fatores de risco nos últimos anos -- foram de 8,75% e 9,25% para títulos de 8 e 13 anos, respectivamente. Portanto, não parece absurdo pensar que a Argentina possa fazer isso, embora sigamos de perto os movimentos do mercado", acrescentou.

A acumulação de reservas do BCRA será fundamental para que essa taxa, em uma potencial saída ao mercado internacional, seja a menor possível, concordam os operadores.

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A autoridade monetária acumula em janeiro compras de US$1,019 bilhão, após a aquisição de US$39 milhões na véspera, o que eleva as reservas internacionais para US$45,740 bilhões, segundo ‌dados oficiais provisórios.

Esta situação encontra respaldo na emissão de debêntures corporativas, nas altas taxas em pesos e na retração da demanda privada por dólares. É "fundamental ter o risco-país próximo dos 500 pontos-base", ressaltou a corretora Cohen.

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