A economia da China acelerou no início de 2026, aproveitando um aumento das exportações antes que a guerra do Irã elevasse os custos de energia e colocasse em risco a demanda global - vital para as ambições de crescimento de Pequim.
O ritmo de 5,0% de crescimento no primeiro trimestre na comparação anual está no topo da faixa da meta da China para o ano inteiro, de 4,5% a 5,0%, destacando uma resiliência que a diferencia de grande parte da Ásia, ajudada por reservas estratégicas de petróleo amplas e um mix de energia diversificado.
No entanto, o conflito no Oriente Médio expõe uma vulnerabilidade central: um modelo de crescimento liderado pelas exportações, que proporciona excedentes comerciais anuais do tamanho da economia holandesa, depende de rotas marítimas abertas - para a China e para os clientes para os quais ela vende.
E como o maior importador de energia e potência manufatureira do mundo, o aumento dos preços do petróleo ameaça elevar os custos de produção e reduzir ainda mais as margens nas fábricas que empregam centenas de milhões de pessoas. Quanto mais o conflito se arrastar, maiores serão os riscos e a pressão já está aumentando.
O crescimento do PIB do primeiro trimestre superou as previsões de 4,8% e a mínima de três anos de 4,5% registrada de outubro a dezembro, o que um funcionário do departamento de estatísticas descreveu como uma conquista "rara e louvável", ao mesmo tempo em que alertou para um ambiente externo "complexo e volátil".
Mas os dados comerciais de março divulgados nesta semana apontaram para tensões. As exportações cresceram apenas 2,5% no mês passado, registrando uma forte desaceleração em relação aos 21,8% de janeiro-fevereiro.
E, embora os preços de fábrica tenham saído da deflação em março pela primeira vez em mais de três anos, analistas alertam que a "inflação ruim", impulsionada pelos custos de insumos, pode ser ainda pior para o crescimento.
"O início do ano sólido devido ao forte desempenho das exportações sugere que o impacto direto do conflito no Oriente Médio permanece contido por enquanto", disse Junyu Tan, economista da Coface para o Norte da Ásia.
"No entanto, as perspectivas não são de todo animadoras, apesar da relativa resiliência da China", acrescentou Tan. "O motor de exportação ainda pode ser limitado pela demanda global mais fraca se o conflito persistir."
As vendas no varejo, um indicador do consumo, cresceram 1,7% no mês passado na comparação com o ano anterior, abaixo dos 2,8% registrados em janeiro-fevereiro, e - como tem sido a norma nos últimos anos - tiveram um desempenho inferior ao da produção industrial, que expandiu 5,7% em março na mesma base de comparação, contra 6,3% nos dois primeiros meses.