Receita reduz estimativa de arrecadação com taxação de dividendos a R$10,5 bi em 2026

22 set 2026 - 11h36
(atualizado às 12h04)
Resumo
A Receita Federal reduziu para R$ 10,5 bilhões a estimativa de arrecadação com a tributação de dividendos em 2026, valor muito inferior aos R$ 29 bilhões previstos inicialmente. O ajuste reflete o ritmo dos pagamentos de janeiro a agosto, que somou R$ 4,03 bilhões, impactado pela antecipação da distribuição de lucros pelas empresas no ano anterior. A nova projeção será incluída no relatório fiscal do governo, criado para compensar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

A Receita Federal reduziu sua ‌projeção de arrecadação com a nova tributação de dividendos a R$10,5 bilhões em 2026, bem abaixo dos R$29 bilhões previstos originalmente e também inferior aos R$17,2 bilhões estimados há apenas dois meses, informou nesta terça-feira o chefe ⁠do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir ‌Malaquias.

Em entrevista à imprensa, Malaquias disse que os novos dados devem ser incorporados às projeções fiscais do governo ‌que serão apresentadas nesta semana. A ‌revisão da projeção, segundo ele, refletiu a trajetória ⁠dos pagamentos ao longo do ano até aqui.

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A arrecadação do governo com Imposto de Renda sobre dividendos totalizou R$4,030 bilhões de janeiro a agosto, segundo a Receita. Desse total, R$2,615 bilhões dizem respeito a proventos acima de R$50 ‌mil distribuídos no país, enquanto R$1,415 bilhão é proveniente da ‌cobrança de 10% ⁠sobre dividendos ⁠remetidos para o exterior.

"A cada mês os valores (arrecadados) foram crescendo. Estatisticamente, estamos ⁠fazendo uma inferência de ‌que continuará crescendo até ‌o final do ano, isso dá os R$10 bilhões", disse Malaquias.

A taxação dos dividendos foi instituída pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva como medida para ⁠compensar a perda de arrecadação com a ampliação da faixa de renda isenta do pagamento do IR. A Receita já havia avaliado, no entanto, que muitas empresas aceleraram a distribuição de lucros ‌no ano passado, antecipando o pagamento e evitando a tributação neste ano.

Em julho, a Receita já havia revisado sua ⁠projeção para R$17,2 bilhões no ano, mas a redução não foi incorporada oficialmente nas contas do governo, com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, argumentando que a decisão foi tomada por "conservadorismo".

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"No próximo relatório (de setembro), de posse de números mais atualizados, nós vamos eventualmente tomar decisões", afirmou o ministro na ocasião.

Está prevista para quinta-feira a divulgação do relatório de receitas e despesas, que reavalia bimestralmente as contas federais e aponta eventual necessidade de contenção de gastos de ministérios para cumprir regras fiscais.

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