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Quem é o fundador da Evergrande condenado à prisão perpétua por fraude financeira na China

Hui Ka Yan, também conhecido como Xu Jiayin, chegou a ser considerado pela Revista Forbes o homem mais rico da Ásia; Justiça determinou o confisco de todos os seus bens pessoais

20 ago 2026 - 09h43
(atualizado às 10h40)

O fundador da Evergrande, Hui Ka Yan, foi condenado na China nesta quinta-feira, 20, à prisão perpétua por crimes que incluem fraude financeira em grande escala. A Justiça também determinou o confisco de todos os seus bens pessoais.

Hui - que, em mandarim, é Xu Jiayin - nasceu em 1958, em uma aldeia rural da província de Henan. Criado pela avó, trabalhou na indústria siderúrgica na década de 1980, antes de fundar a Evergrande, em 1996.

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Segundo a agência de notícias Reuters, no início, Hui pegava empréstimos para comprar terrenos e vendia imóveis nesses locais antes mesmo de serem construídos. Com o dinheiro das vendas, pagava credores e financiava novos projetos imobiliários.

A empresa prosperou durante o crescimento do mercado imobiliário chinês e se tornou uma gigante do setor. Em 2009, a Evergrande abriu capital na Bolsa de Hong Kong, em uma oferta que levantou cerca de US$ 729 milhões.

Assim como outros empresários chineses, Hui também ganhou influência política ao ingressar no Congresso Consultivo Político do Povo Chinês, importante órgão consultivo ligado ao governo.

Em 2017, ele foi considerado pela Revista Forbes o homem mais rico da Ásia, com um patrimônio líquido estimado em US$ 45,3 bilhões. Ele também foi dono do clube de futebol Guangzhou Evergrande e investiu em parques temáticos e veículos elétricos.

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Anos depois, porém, a Evergrande tornou-se símbolo da crise imobiliária que afeta a China. O setor, que durante décadas foi impulsionado pela rápida urbanização e pela expansão da renda da população, entrou em crise após Pequim adotar medidas para conter o endividamento excessivo e a especulação.

Com o acesso ao crédito drasticamente reduzido, a Evergrande enfrentou dificuldades financeiras e entrou em inadimplência em 2021, após anos de esforços para administrar uma dívida que havia crescido a níveis elevados.

A empresa tornou-se a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, com mais de US$ 300 bilhões em passivos, antes de ser obrigada a liquidar seus ativos. A crise da Evergrande contribuiu para aprofundar a recessão no setor imobiliário chinês, enquanto os preços dos imóveis caíram cerca de 20% ou mais desde 2021.

Em setembro de 2023, Hui foi colocado sob vigilância policial. Quase três anos depois, em abril deste ano, ele se declarou culpado de várias acusações, incluindo apropriação indevida de depósitos públicos, fraude e suborno.

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Nesta quinta-feira, o Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen condenou Hui à prisão perpétua e afirmou que ele abusou de sua posição ao orquestrar fraudes e se apropriar indevidamente de ativos da empresa.

O Grupo Evergrande foi multado em 8,82 bilhões de yuans (US$ 1,31 bilhão), enquanto a Hengda Real Estate, subsidiária imobiliária do grupo, recebeu multa de 7 bilhões de yuans (US$ 1,04 bilhão).

"O montante envolvido é excepcionalmente elevado, as circunstâncias são particularmente graves e causaram perdas econômicas extraordinariamente pesadas", afirmou o tribunal em comunicado. "O dano para a sociedade é extremamente sério. Portanto, deve ser aplicada uma punição severa, em conformidade com a lei."

Os filhos de Hui, Xu Tenghe e Xu Zhijian, também foram condenados, juntamente com altos executivos da Evergrande e outras pessoas ligadas ao grupo, sob acusações que incluem captação ilegal de depósitos públicos, fraude em arrecadação de fundos e uso ilegal de recursos./Com informações da AP

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