Os preços do petróleo subiram quase 5% nesta quarta-feira, uma vez que novos ataques a navios no Estreito de Ormuz agravaram os temores de interrupção de oferta, e os analistas disseram que a proposta da Agência Internacional de Energia para uma liberação recorde de reservas de petróleo é inadequada para aliviar essas preocupações.
Os contratos futuros do Brent subiram US$4,18, ou 4,8%, fechando a US$91,98 por barril, enquanto o petróleo nos Estados Unidos West Texas Intermediate encerrou a sessão com alta de US$3,80, ou 4,6%, a US$87,25 por barril.
Mais três navios foram atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz, informaram empresas de segurança marítima e de risco nesta quarta-feira. Isso elevou o número de navios atingidos na região para pelo menos 14 desde o início da guerra com o Irã.
O transporte marítimo ao longo do estreito está quase paralisado desde que os Estados Unidos e Israel começaram a atacar o Irã em 28 de fevereiro, impedindo as exportações de cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e fazendo com que os preços globais do petróleo subissem para níveis não vistos desde 2022.
O presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos estão preparados para escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz quando necessário. No entanto, fontes disseram à Reuters que a Marinha norte-americana recusou pedidos do setor de transporte marítimo para escoltas militares, pois o risco de ataques é muito alto por enquanto.
A IEA, entretanto, recomendou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo, a maior ação desse tipo em sua história, para tentar conter os preços da energia, que já subiram mais de 25% desde o início da guerra. O prazo para a liberação será decidido no devido tempo, disse a IEA.
O volume proposto é mais do que o dobro dos 182 milhões de barris liberados em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas os analistas disseram que, em última análise, era insuficiente para resolver as perdas de oferta de uma guerra prolongada no Oriente Médio.
A liberação proposta é aproximadamente igual a quatro dias de produção global e 16 dias do volume de petróleo que transita pelo Golfo Pérsico, estimaram os analistas da Macquarie.
"Se isso não parece muito, é porque não é", disseram os analistas em uma nota.
Os preços do petróleo também ignoraram um relatório do governo norte-americano que mostrou que os estoques de petróleo no principal país produtor de petróleo cresceram mais do que o esperado na semana passada. Os estoques de gasolina e de combustíveis refinados norte-americanos, que incluem diesel e combustível de aviação, caíram mais do que o esperado, segundo o relatório. [EIA/S]