O Banco Central do Paraguai iniciou o ressarcimento aos 3 milhões de clientes do Ueno Bank, cuja intervenção por insolvência desencadeou uma crise política nacional. O caso motivou protestos e levou o presidente Santiago Peña a anunciar sua renúncia, ainda travada no Congresso por falta de quórum. Peña também enfrenta impeachment por conflito de interesses, fiscalização inadequada e responsabilidade na crise, já que foi acionista do grupo ligado à instituição financeira até março de 2025.
O Banco Central do Paraguai começou a pagar adiantamentos aos correntistas do Ueno Bank, cuja intervenção deixou cerca de três milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e desencadeou uma crise política no país. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 6, à AFP pelo responsável pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).
"O processo de pagamento dos adiantamentos de garantia aos depositantes do Ueno Bank começou na quinta-feira à tarde", afirmou José Maciel, diretor da Unidade Administradora do FGD do Banco Central.
A crise política se agravou na quinta-feira, 5, quando o presidente Santiago Peña anunciou que deixaria o cargo. A renúncia, porém, ainda não foi aprovada pelo Congresso. A sessão conjunta convocada para analisar sua saída ficou sem quórum, e Peña permanece formalmente na Presidência. O mandatário também enfrenta um processo de impeachment.
O impasse está relacionado à intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição que enfrentava problemas de solvência e mantinha vínculos com o grupo empresarial do qual Peña foi acionista até março de 2025.
O fechamento do banco bloqueou recursos de clientes e fundos públicos, provocando protestos no país.
As acusações apresentadas pelos deputados no processo de impeachment envolvem supostas responsabilidades de Peña na crise financeira, conflitos de interesse e questões relacionadas à fiscalização da instituição. / AFP