O que o acordo UE-Mercosul pode significar para o Brasil e, em especial, para o agro?

Tratado poderá trazer certa 'prioridade' para o País e seus parceiros, mas não representa ganhos significativos nem imediatos para os produtores rurais brasileiros

27 jan 2026 - 22h11

No dia 17 de janeiro, assistimos à assinatura de um acordo negociado há 26 anos entre dois blocos essenciais para a segurança alimentar do planeta — Mercosul e União Europeia (UE).

É fato que ainda há o entrave jurídico imposto pelo Parlamento Europeu nos últimos dias. De qualquer forma, análises e notícias a respeito do tema, na maioria, destacam benefícios para o agronegócio, com a expectativa de aumento gradual nas exportações brasileiras de produtos como carnes, frutas, café e pescados, o que traz ventos de otimismo em meio a um cenário de muita incerteza geopolítica.

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É preciso ponderar, no entanto, que o acordo UE-Mercosul é um avanço do ponto de vista estratégico, porque reforça alianças e poderá trazer uma certa "prioridade" para o Brasil e seus parceiros de bloco, principalmente com a crescente guerra de tarifas, porém não representa ganhos significativos — nem imediatos — para os produtores rurais brasileiros.

A soja, por exemplo, líder absoluta na geração de divisas para o País, já tinha tarifa zerada nas exportações para a Europa, por isso, nada muda. Em 2025, o complexo soja respondeu por US$ 52,9 bilhões em receitas externas (65% foram vendas para a China).

Há boas perspectivas para o café industrializado e, talvez, para biocombustíveis, o que, indiretamente, poderá beneficiar os produtores de grãos. O mesmo ocorre em relação às carnes, com as cotas adicionais gerando mais demanda por ração.

O que nos preocupa são as salvaguardas que não estão dentro do texto principal do acordo, mas que farão parte do regulamento interno da UE. São mecanismos para que os europeus suspendam temporariamente os benefícios tarifários do acordo caso entendam que esteja havendo prejuízo ao agronegócio local, em seus países.

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Já vimos questões semelhantes, na questão ambiental, sendo utilizadas como barreiras comerciais disfarçadas. Temos a legislação ambiental mais rigorosa do mundo. Em alguns biomas, produtores chegam a preservar 80% de sua fazenda para utilizar apenas 20% na produção.

Por isso, precisamos seguir vigilantes para que a lei europeia antidesmatamento (EUDR) não venha, futuramente, a desmantelar os potenciais ganhos desse acordo.

É fato que, mesmo com juros altos e margens dos produtores ainda mais apertadas na safra 2025/2026, somos tão eficientes dentro da porteira que conseguimos seguir competitivos no mercado internacional, o que nos dá esperança para seguir em frente em 2026, apesar de todos os desafios.

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