O Brasil é um grande exemplo para o mundo de que é possível fazer uma transição energética com uma matriz limpa, mesmo diante dos desafios crescentes do setor, na análise do CEO da EDP América do Sul, João Brito Martins. "O que a Alemanha quer ser em 2040, o Brasil já é hoje", disse o empresário na abertura da mesa "O novo sistema elétrico: como os CEOs estão redesenhando o setor", no primeiro dia do Energy Summit.
O encontro que acontece na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 25, discute o futuro da energia, da inovação e da sustentabilidade, reunindo os principais nomes do setor. Na mesa da qual participou Martins, estavam também o CEO da Axia Energia (antiga Eletrobrás), Ivan Monteiro; o CEO da Light, Alexandre Nogueira; e o CEO da Hitachi Energy, Glauco Freitas.
De acordo com os empresários do setor elétrico, um dos maiores desafios, atualmente, é a ampliação dos data centers. Por conta do crescimento exponencial do uso da inteligência artificial (IA) e da computação em nuvem, que exigem volumes crescentes de energia elétrica, a ampliação dos data centers está no centro do debate sobre transição energética. Como equilibrar o avanço tecnológico e as metas de descarbonização globais?
Para João Brito Martins o Brasil tem uma vantagem importante por conta de sua matriz energética limpa.
"É um privilégio estarmos hoje no mundo, vivendo a era da eletricidade, da transição energética", afirmou Martins. "Acho que hoje o Brasil é um grande exemplo para o mundo de que é possível fazer uma transição energética robusta com uma matriz limpa."
É a hora de o Brasil se preocupar com a demanda?
"Além de todos os desafios que já temos, temos ainda um novo concorrente, que é o Data Center", destacou Glauco Freitas, da Hitachi. "Chegou a hora de o Brasil se preocupar com a demanda, tem de fazer chegar a eletricidade a quem precisa."
Ivan Monteiro, da Axia, citou ainda a questão das mudanças climáticas como um grande desafio a ser enfrentado pelo setor nos próximos anos.
"Nossa matéria prima é a água", lembrou Monteiro. "Precisamos saber como ela se comportará diante de eventos climáticos futuros e os impactos que teremos. Se a Axia falhar, vai faltar luz para muita gente, e não podemos permitir que isso aconteça."
Monteiro lembrou também da importância de se ampliar o uso de outros tipos de energia renovável, como eólica e solar.
"Temos a questão da IA (dos Data Centers) e podemos ainda somar a questão das guerras em curso aumentando a demanda por energia", lembrou. "Claramente há uma necessidade urgente de construção de novas alternativas; é relevante nessa equação também o comportamento dos reguladores (os sistemas de controle automáticos fundamentais para manter a estabilidade, a qualidade e a segurança da energia injetada na rede elétrica) para nos auxiliar a gerenciar os riscos que acabamos de mencionar."