Municípios do Rio Grande do Sul já restringem serviços pela falta de diesel, diz federação

Quase 30% dos municípios gaúchos relatam dificuldades devido à falta de combustível, impactando transporte e obras

21 mar 2026 - 14h18
(atualizado às 14h35)

Ao menos 142 prefeituras do Rio Grande do Sul estão com o pleno funcionamento de seus serviços essenciais ameaçados graças à falta de diesel. Isso corresponde a quase 30% dos 497 municípios do Estado.

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O levantamento foi feito pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul, a Famurs. Até a publicação, na quinta-feira, 19, 315 prefeituras haviam respondido.

Cidades do Rio Grande do Sul já enfrentam problemas por causa da alta no preço do petróleo
Cidades do Rio Grande do Sul já enfrentam problemas por causa da alta no preço do petróleo
Foto: Blog Scannia/Divulgação / Estadão

Segundo a federação, prefeitos do RS estão precisando priorizar serviços na área da saúde, como o transporte de pacientes, enquanto obras e atividades que dependem de maquinário começam a ser suspensas em razão da escassez de combustível.

Adriane Perin de Oliveira, presidente da Famurs e prefeita da cidade de Nonoai, destaca que a situação tende a se agravar nos próximos dias, se não houver nenhuma medida para garantir o abastecimento de diesel.

"Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades. Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços. Precisamos de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal", diz.

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Risco de desabastecimento

A disparada do preço do petróleo no exterior desde a eclosão da guerra no Oriente Médio pressiona o custo do diesel e gera preocupação quanto ao desabastecimento de combustíveis em todo o País.

O governo federal vem anunciando algumas medidas para conter o impacto, mas agentes de mercado avaliam que a implementação precisa ser imediata. E pode ser insuficiente diante do tamanho da crise no setor.

A primeira delas é a Medida Provisória nº 1.344/2026, publicada na quinta-feira, 19, para conceder um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para o Ministério de Minas e Energia. A MP garante subvenção econômica à comercialização de óleo diesel por produtores e importadores de óleo diesel, segundo medida anunciada na semana passada.

A outra medida principal foi zerar os dois impostos federais que incidem sobre o diesel: o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

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A Fazenda também propôs que Estados zerem o ICMS sobre a importação do diesel, com a União arcando com metade da perda de arrecadação. O objetivo, nesse caso, é impedir que haja desabastecimento pelo descasamento entre os preços do combustível no mercado doméstico e externo.

Até a sexta-feira, 20, no entanto, apenas o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sinalizou positivamente sobre a possibilidade de zerar o ICMS sobre o combustível no Estado.

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