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Morre Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, empresário que presidiu a Fiesp na década de 80

Dono da Cobrasma, empresa fundada por seu pai que se tornou gigante no setor de equipamentos ferroviários, Vidigal Filho comandou a entidade industrial de 1980 a 1986

2 jul 2026 - 18h38

O setor empresarial brasileiro perdeu nesta semana Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, que teve papel de destaque no cenário nacional nos anos 1980. O empresário dirigiu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), maior entidade industrial do País, durante um período de transição da ditadura militar (1964-1985) para a democracia.

Vidigal Filho foi presidente da Fiesp entre 1980 e 1986. Sua chegada ao comando da entidade foi decorrente de uma eleição histórica contra Theobaldo De Nigris, então presidente da federação da indústria paulista por oito mandatos seguidos.

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O empresário morreu na segunda-feira, 29, aos 87 anos, e ainda ocupava o cargo de presidente emérito da Fiesp. Na indústria, veio do setor de equipamentos ferroviários e metalúrgico. Atuou por décadas como dirigente do grupo industrial Cobrasma (Companhia Brasileira de Material Ferroviário) a partir dos anos 1980.

Delfim Netto (ao centro) participa de almoço do Conselho de Economia da Fiesp, ao lado de Mário Amato (à esq.), Abraham Szajman (em pé) e Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho (à dir.), em São Paulo, em 1989
Delfim Netto (ao centro) participa de almoço do Conselho de Economia da Fiesp, ao lado de Mário Amato (à esq.), Abraham Szajman (em pé) e Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho (à dir.), em São Paulo, em 1989
Foto: Acervo/Estadão / Estadão

Ele permaneceu à frente do grupo até a falência da Cobrasma em 1993. A companhia industrial foi fundada em Osasco (na Grande São Paulo) por seu pai, Gatão Vidigal, em setembro de 1944. Vidigal Filho também presidiu a Fornasa S.A.

A Cobrasma foi a principal fabricante de vagões e trens da América Latina e se diversificou para o setor automotivo e de ônibus. Criada para suprir a falta de peças importadas após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se líder na fabricação de trens de passageiros, metrôs e vagões de carga.

A companhia se tornou uma gigante industrial na América Latina. Após falir, devido a crises no setor, encerrou atividades definitivamente em 1998. Antes disso, diversificou-se e expandiu sua atuação, criando empresas como a Braseixos (eixos para carros e caminhões) em parceria com a norte-americana Rockwell. No auge, empregou quase 7 mil funcionários.

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Nascido em São Paulo em 1939, o empresário era formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1963 e concluiu pós-graduação em Administração de Empresas pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em 1965. Atuou também no setor jurídico como sócio de escritório de advocacia.

Mas foi como representante do setor industrial que se destacou no cenário nacional nas décadas de 1970 e 1980 ao exercer cargos relevantes. Foi 1º vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

'Firmeza e diálogo' nos tempos difíceis do País

Ao lamentar o falecimento do empresário, a Fiesp destacou que Vidigal Filho foi "uma das lideranças mais determinadas e visionárias da história da indústria brasileira".

O empresário Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho (ao centro), ao lado do atual presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e outros diretores, em foto do início de 2026
Foto: Fiesp/Divulgação / Estadão

A entidade destaca que ele pautou sua vida por uma sólida formação acadêmica e profissional. "Com trajetória no setor metalúrgico e de autopeças, participou ativamente da evolução do País e representou o setor automotivo no grupo GEIA, do Ministério da Indústria e Comércio (MIC), entre 1969 e 1972?.

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A nota da Fiesp acrescenta que, em 1980, à frente da Fiesp e do Ciesp (Centro das Indústrias do estado de São Paulo), Vidigal Filho "atuou com a firmeza e diálogo para os novos tempos da economia brasileira". Em 2008, recebeu o título de presidente emérito da Fiesp. Dentro da entidade, teve participações como membro no Senai e no Sesi, neste último como membro de 1993 a 2021.

"O dinamismo de Luís Eulálio foi peça-chave na diplomacia empresarial, atuando como vice-coordenador da Seção Brasileira do Conselho Industrial do Mercosul e presidindo as seções brasileiras dos conselhos empresariais Brasil-EUA, Argentina-Brasil e Nipo-Brasileiro", acrescenta a entidade da indústria paulista.

Na esfera pública, informa a Fiesp, o empresário atuou como membro do Conselho Monetário Nacional (CMN), da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais e do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo.

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