Os ministros brasileiros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa reuniram-se nos EUA com o representante comercial Jamieson Greer para negociar as tarifas de até 37,5% aplicadas às exportações do Brasil. O diálogo atende a um acordo entre os presidentes Lula e Donald Trump para buscar um entendimento bilateral. Em paralelo, o Brasil contestou as sobretaxas perante a Organização Mundial do Comércio, embora o governo norte-americano demonstre preferência por negociar a questão fora da entidade multilateral.
BRASÍLIA - Os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) se reuniram nesta quarta-feira, dia 30, com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em Milwaukee, no Wisconsin.
Os três discutiram o comércio entre os países e um possível entendimento sobre o tarifaço aplicado em julho pelos EUA à pauta de exportações do Brasil, de até 37,5%.
A reunião durou certca de 40 minutos, sendo 30 minutos com assessores na sala e outros 10 minutos apenas entre os três. O encontro ocorreu no The Pfister Hotel, no centro de Milwaukee, sede da reunião do G-20.
A rodada de negociação havia sido agendada durante videoconferência entre os três, com o objetivo de coincidir com a viagem dos ministros de Lula aos EUA, por ocasião da reunião ministerial de Comércio do G-20.
A retomada de negociações atende a um pedido de Lula, aceito por Donald Trump, no fim de agosto. É a segunda conversa em nível político entre os ministros, após o telefonema dos presidentes.
Na última sexta-feira, dia 25, diplomatas e negociadores comerciais dos dois países discutiram as tarifas perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O mecanismo de consultas na OMC é outra frente de tratativas, voltada a discutir as sobretaxas de 25% e 12,5% impostas após investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O Brasil apresentou cerca de 50 questionamentos ao novo tarifaço, e cobrou que os americanos respondessem quais práticas do País violavam regras de comércio internacional estabelecidas na OMC, o que não ocorreu.
Para diplomatas, os representantes do USTR indicaram que as tarifas devem ser discutidas fora do órgão multilateral sediado em Genebra, na Suíça.