México e EUA correm para fechar acordo comercial bilateral antes de eleições norte-americanas

11 set 2026 - 09h01
Resumo
México e Estados Unidos correm para firmar um acordo comercial bilateral antes das eleições norte-americanas, buscando vitórias políticas mútuas. A urgência aumentou após o colapso das negociações dos EUA com o Canadá, gerando disputas tarifárias. Para a presidente Claudia Sheinbaum, o pacto é vital para acalmar os mercados e a economia mexicana, cedendo a exigências sobre conteúdo automotivo e investimentos chineses em troca de isenções fiscais com seu principal parceiro comercial.

O México e os Estados Unidos estão correndo contra o tempo para chegar a um acordo comercial bilateral antes das eleições de meio de mandato nos EUA, que ocorrerão em menos de oito semanas, segundo seis fontes de ambos os países a par das ⁠negociações, em um esforço que se tornou ainda mais urgente com o fracasso ‌das negociações do Canadá com Washington.

Bandeiras dos EUA e do México tremulam ao amanhecer sobre a Ponte Internacional Lerdo-Stanton, vista de Ciudad Juárez, no México
21 de julho de 2026. REUTERS/José Luis González
Bandeiras dos EUA e do México tremulam ao amanhecer sobre a Ponte Internacional Lerdo-Stanton, vista de Ciudad Juárez, no México 21 de julho de 2026. REUTERS/José Luis González
Foto: Reuters

"Ambos queremos chegar a um acordo antes das eleições de meio de mandato", disse uma fonte baseada no México, ‌que falou sob condição de anonimato para ‌discutir negociações privadas.

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As negociações visam chegar a um acordo bilateral provisório, ⁠por meio do qual o México poderia obter isenção de algumas tarifas norte-americanas, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos EUA em áreas como conteúdo automotivo e investimentos chineses.

Embora não haja um prazo formal, autoridades de ambos os países enxergam benefícios políticos em chegar a um acordo antes das eleições ‌de 3 de novembro, quando o partido Republicano do presidente dos EUA, Donald ‌Trump, corre o risco ⁠de perder o ⁠controle do Congresso. Um acordo permitiria que ambos os líderes apresentassem isso como uma vitória, ⁠em um momento em que enfrentam ‌desafios políticos internos.

"O tempo é ‌essencial para o governo mexicano", disse a fonte mexicana, citando preocupações com a fraqueza da economia e a queda nas classificações de crédito de sua dívida. A fonte acrescentou que o governo da presidente ⁠mexicana Claudia Sheinbaum, que apresentou nesta semana seu orçamento para 2027, considera um acordo comercial com os EUA fundamental para tranquilizar os mercados e os investidores.

Um porta-voz do Ministério da Economia do México afirmou: "Não há prazos específicos neste momento", ressaltando o compromisso contínuo ‌do governo com o diálogo com Washington.

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O Representante de Comércio dos EUA e a Casa Branca não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A pressão ⁠do México para chegar a um acordo surge após o colapso das negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá no mês passado, o que mergulhou os aliados de longa data em uma acirrada disputa tarifária.

Washington proibiu, na terça-feira, as importações de uma ampla gama de bebidas alcoólicas, motocicletas e laticínios canadenses, e Ottawa prometeu igualar as tarifas dos EUA dólar por dólar.

O fracasso das negociações com o Canadá reforçou a estratégia do México de evitar o confronto direto com Washington, apostando que a cooperação resultará em alívio tarifário.

A fonte mexicana descreveu a abordagem do país como "agir com boa vontade e continuar a cooperar". O México destina mais de 80% de suas exportações ao seu vizinho do norte.

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