FIDCs viram alternativa para empresas médias diante da retração dos bancos

Com retração do crédito bancário e juros altos, empresas médias aceleram demanda por FIDCs

4 ago 2025 - 06h54
(atualizado às 10h56)
Resumo
Empresas médias estão recorrendo aos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) como alternativa ao crédito bancário, devido à seletividade dos bancos, juros altos e necessidade de capital, impulsionando o crescimento desse mercado no Brasil.
FIDCs viram alternativa para empresas médias diante da retração dos bancos
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As empresas do middle market (médias empresas) estão encontrando nos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) uma rota segura e estratégica para acessar crédito em um cenário de juros altos, seletividade bancária e incertezas fiscais. Em junho, a indústria de FIDCs captou R$ 22,45 bilhões, o maior volume mensal dos últimos oito meses. No acumulado de 12 meses, o saldo chegou a R$ 120,5 bilhões, consolidando os FIDCs como o principal instrumento de crédito privado estruturado do país. 

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Embora o volume total de crédito bancário ainda seja muito superior, com saldo de R$ 1,6 trilhão em crédito livre para empresas, o que se observa é um movimento inverso entre os dois mercados. Enquanto os bancos vêm reduzindo gradualmente sua exposição ao crédito corporativo, com queda de 0,5% em abril, os créditos privados somam mais de R$ 1,2 trilhão em estoque e a tendência é superar os bancos. 

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Dentro do segmento privado, os FIDCs seguem crescendo em ritmo acelerado. Apenas entre janeiro e maio, os fundos movimentaram mais de R$ 42 bilhões, mesmo com a indefinição sobre a tributação do IOF.

O ponto central é que os bancos estão cada vez mais seletivos, especialmente com empresas médias, exigindo garantias mais robustas e encurtando prazos. Já os FIDCs oferecem uma alternativa mais flexível, com estruturas customizadas e capacidade de incorporar garantias reais, contratos e recebíveis. Com isso, o middle market, que muitas vezes não se enquadra nas exigências dos grandes bancos, encontra nos fundos uma via mais acessível, estratégica e compatível com sua realidade. 

“O mercado de crédito está passando por uma reconfiguração. As empresas médias, que muitas vezes ficam no limbo entre o pequeno negócio e os grandes grupos com acesso facilitado aos bancos, têm buscado soluções mais inteligentes e estruturadas. Nesse contexto, os FIDCs surgem como instrumento eficiente para destravar capital com agilidade e segurança jurídica”, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

Mesmo após o vai e vem regulatório envolvendo a tributação do IOF, os fundos se adaptaram rapidamente. O resultado foi uma retomada vigorosa das operações, com destaque para um único fundo que movimentou R$ 15 bilhões em junho. Além disso, segmentos como fomento mercantil, financeiro e agroindustrial também registraram fluxos significativos, somando R$ 6,7 bilhões no mês. Isso comprova que o crescimento do setor não depende de um único agente, mas reflete um movimento mais amplo e consolidado. 

“Estamos vendo uma consolidação dos FIDCs como alternativa sofisticada ao crédito tradicional. A previsibilidade e a estrutura de garantias oferecidas nessas operações são especialmente valiosas em um ambiente de volatilidade fiscal e seletividade bancária. Empresas que antes estavam fora do radar das grandes instituições agora conseguem acessar recursos com condições mais personalizadas e estratégicas”, completa Assis.

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A tendência é que, com a manutenção dos juros elevados, a inflação resistente e os debates em torno da reforma tributária avançando de forma lenta e fragmentada, a busca por crédito estruturado continue ganhando força entre empresas que precisam de previsibilidade para operar. Dessa forma, os FIDCs devem continuar com a ampliação de seu espaço no mercado por oferecerem não apenas acesso a capital, mas também modelos flexíveis de negociação, alinhamento entre investidores e empresas e estruturação sob medida para diferentes perfis de risco. 

Além disso, a capacidade desses fundos de incorporar garantias reais, recebíveis e contratos futuros tem atraído empresas médias que, diante do aperto bancário, veem nos FIDCs uma solução concreta para financiar expansão, rolagem de passivos e até aquisição de concorrentes. O avanço dessa agenda de crédito privado contribui diretamente para destravar a economia real e representa uma mudança estrutural na forma como o capital é alocado fora dos grandes grupos.

(*) Homework inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.

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