Membro do BCE volta atenção para preços do gás e vê risco de alta na inflação

14 set 2026 - 08h15
(atualizado às 10h13)
Resumo
Peter Kazimir, membro do BCE, alertou que a inflação na zona do euro pode superar as projeções devido à disparada dos preços do gás natural e da eletricidade, agravada pelos baixos estoques europeus. Além da crise energética prolongada, a alta esperada nos alimentos amplia a pressão inflacionária. Tras elevar os juros recentemente, a autoridade afirmou que o BCE agirá com firmeza se os dados exigirem, enquanto os mercados já precificam novos aumentos na taxa de juros até o final do ano.

A inflação na zona do euro ‌pode acabar sendo maior do que as projeções já elevadas, e a evolução dos preços do gás natural e da energia elétrica está se tornando uma preocupação fundamental, afirmou nesta segunda-feira Peter Kazimir, membro do Banco Central Europeu.

O BCE elevou as taxas de juros ⁠pela segunda vez neste ano na quinta-feira e revisou para cima ‌muitas de suas projeções de inflação, alimentando apostas de que haverá até mais três aumentos ao longo dos próximos 12 meses.

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Embora ‌Kazimir tenha evitado pedir juros mais altos, ‌ao contrário de alguns outros colegas, ele afirmou que a ⁠mente aberta das autoridades em relação ao próximo passo não deve ser interpretada como hesitação, e que o banco agirá com determinação quando os dados justificarem uma ação.

"Minha atenção agora está menos voltada para os preços do petróleo e dos combustíveis, mas cada vez ‌mais para os preços do gás e da eletricidade", disse Kazimir, ‌presidente do banco central ⁠da Eslováquia, em ⁠uma postagem de blog. "A inflação dos alimentos, tão importante para as percepções e ⁠expectativas, também deve acelerar."

Os preços ‌do gás natural estão ‌na máxima em quatro anos já que os países europeus hesitaram em encher os reservatórios de gás durante o verão, na esperança de que o conflito no Irã termine e os ⁠preços do gás caiam.

Com os níveis de estoque bem abaixo das médias históricas, os países agora correm para estocar gás, e os preços estão disparando, o que provavelmente elevará os custos de aquecimento e eletricidade e alimentará a ‌inflação de forma mais ampla.

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Enquanto isso, o aumento dos preços dos alimentos está inesperadamente baixo, mas uma combinação explosiva de fatores — ⁠incluindo uma seca na Europa, o fenômeno climático El Niño e a alta vertiginosa dos preços do diesel e dos fertilizantes, insumos essenciais para a agricultura — deve elevar os preços nos próximos meses.

"Os riscos de inflação estão claramente inclinados para cima", disse Kazimir. "O choque de energia já durou mais do que muitos esperavam. No entanto, suas consequências completas ainda não se refletiram na economia."

O BCE se reunirá novamente em 29 de outubro, e os mercados financeiros estimam uma probabilidade de cerca de 60% de um aumento dos juros nessa ocasião, enquanto uma alta até o final do ano já está totalmente precificada.

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