O governo de Portugal aprovou na quinta-feira, 30, a venda de 100% do banco Caixa Geral de Depósitos (CGD) no Brasil para a gestora MD Capital, criada por dois ex-executivos do Bradesco Mario da Silveira Teixeira Junior e Dorival Antonio Bianchi.
O valor oficial não foi revelado, mas a venda é avaliada em R$ 250 milhões, pouco mais de € 40 milhões. O processo estava aberto desde o fim de 2025 e os quatro finalistas, além da MD, eram o Nubank, a russa Sputnik e a Garantia Capital, que tem entre os sócios o economista André Perfeito.
O Nubank desistiu do processo recentemente, ao comprar o Banco Porto Real de Investimento, do Rio, e conseguir a licença bancária que buscava. O Caixa Geral de Depósitos era uma alternativa para obter essa licença.
Esta é a terceira tentativa do governo de Portugal de vender a subsidiária brasileira do CGD, o maior banco do país europeu em volume de ativos e que existe há 150 anos. A medida é parte de uma estratégia de venda de ativos internacionais para ajudar no ajuste fiscal do país, cuja dívida pública terminou 2025 perto de 90% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do limite de 60% estabelecido pela União Europeia.
A primeira tentativa foi em 2019, quando recebeu três propostas vinculantes, mas decidiu não seguir com o processo. Em 2021, o processo foi relançado, mas também não avançou. Em setembro de 2025, foi oferecido novamente ao mercado.
No Brasil, o banco opera com foco em crédito para empresas, sejam da península ibérica com interesse em negócios no mercado brasileiro ou brasileiras que querem fazer negócios na Europa e África. O banco tem R$ 1,9 bilhão em ativos, segundo dados do primeiro trimestre disponíveis no Banco Central. A carteira de crédito somava R$ 825 milhões.