O dólar fechou a sexta-feira perto da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia sinais mistos no fim da tarde, em uma sessão marcada pelo atraso da B3 na abertura do mercado e pela disputa dos agentes pela formação da Ptax de fim de mês.
O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,13%, aos R$5,0686. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,25% e, no mês, recuo de 1,82%.
Às 17h05, o dólar futuro para setembro -- que nesta sessão passou a ser o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,11% na B3, aos R$5,1070.
Os contratos futuros de dólar e a moeda norte-americana à vista abriram com atraso no Brasil, após as 9h35, em função de problema técnico na B3.
O dólar para setembro foi o primeiro a começar a operar, seguido pelo dólar para agosto. Com a abertura do mercado futuro da B3 -- o mais líquido no Brasil -- as negociações no segmento à vista também foram iniciadas.
Mais cedo, um operador ouvido pela Reuters pontuou que, sem as cotações do mercado futuro de dólar da B3, as mesas de operação não tinham referência de preços e, por isso, "ninguém faz nada".
Outros mercados no Brasil, como os de ações e DIs (Depósitos Interfinanceiros), abriram bem mais tarde, a partir das 12h30.
A dificuldade inicial nas negociações cambiais ocorreu no último dia do mês, quando tradicionalmente os agentes operam mirando a definição da taxa Ptax.
Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
No início da tarde, o BC informou que a Ptax fechou em R$5,0773 na venda. Definida a Ptax, a moeda norte-americana pouco oscilou no restante do dia.
O dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,0865 (+0,48%) às 11h21 -- em meio à disputa pela Ptax e antes de o mercado de ações da B3 entrar em funcionamento, o que limitava a liquidez também no câmbio. Depois, a divisa à vista marcou a mínima de R$5,0647 (+0,05%) às 13h15, logo após o anúncio da Ptax.
No exterior, o dólar exibiu mais cedo ganhos ante vários pares do real, mas nesta tarde a divisa tinha sinais mistos: subia ante o peso colombiano e o peso chileno, mas caía ante a rupia indiana e o peso mexicano.
Às 17h16, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- cedia 0,18%, a 99,887.
O movimento no exterior ocorreu em mais um dia de alta do petróleo Brent, para perto dos US$90 o barril, e de elevação dos rendimentos dos Treasuries, com a decisão sobre juros do Federal Reserve na última quarta-feira e o conflito no Oriente Médio no foco das atenções.
(Edição de Alexandre Caverni)